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No Chile, Obama evita desculpa por apoio à ditadura

Da Redação ·
O presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, evitou hoje pedir uma desculpa pública aos chilenos, pela responsabilidade que os EUA tiveram no golpe de Estado desfechado em 1973 pelo general Augusto Pinochet contra o presidente Salvador Allende. Obama disse, contudo, estar disposto a entregar ao Chile informações que Washington possua sobre a suspeita morte do ex-presidente chileno Eduardo Frei, que faleceu em 1982 em circunstâncias misteriosas, após uma simples cirurgia. Frei governou o Chile antes de Allende. Obama também afirmou que o Chile, bem como outros países da América Latina, é um exemplo de democracia que deveria ser seguido por outras regiões do mundo, onde regimes autocráticos são desafiados. Setores políticos e sociais do Chile pediram que a administração norte-americana se desculpe pelo apoio dos EUA ao golpe e ao governo de Pinochet. O ex-presidente cubano Fidel Castro também questionou em artigo publicado hoje se Obama estaria disposto a apresentar um pedido de desculpas ao Chile. Pinochet, após derrubar Allende, governou o Chile com mão-de-ferro até 1990. "A história dos EUA às vezes é extremamente difícil", disse Obama na coletiva, recusando-se a falar sobre as políticas do passado de Washington. Mas ele se disse disposto a entregar qualquer informação que os EUA possuam sobre a morte de Frei. "Qualquer pedido feito pelo Chile certamente será considerado e queremos colaborar", afirmou. De acordo com investigações do judiciário chileno, Frei morreu em um hospital de Santiago, supostamente envenenado por agentes da polícia secreta de Pinochet. Um telegrama diplomático publicado recentemente pelo website WikiLeaks, não desmentido, revelou que a Embaixada dos EUA em Santiago teve informações sobre o caso. Já o presidente do Chile, Sebastián Piñera, evitou qualquer questão polêmica e preferiu se concentrar na importância da visita de Obama ao Chile. Antes do discurso e da coletiva, Obama teve uma reunião com os ex-presidentes chilenos Patricio Aylwin, Eduardo Frei Ruiz-Tagle (filho do ex-presidente morto em 1982) e Ricardo Lagos, que, junto à ex-presidente Michelle Bachelet, governaram o Chile após a restauração da democracia em 1990. Obama chegou hoje a Santiago, vindo do Brasil. No momento da chegada do presidente dos EUA e da sua família ao Palácio La Moneda, no centro de Santiago, dois jovens gritaram contra Obama. Um deles, identificado apenas como "Leonardo", disse que Obama "é prêmio Nobel da Paz e mantém o planeta inteiro sitiado". A polícia afastou os jovens do local, mas não os deteve. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.
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