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Aristide diz que voltou ao Haiti para 'trazer a paz'

Da Redação ·
O ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide voltou ao país hoje, encerrando um período de sete anos de exílio. Ele afirma que quer "trazer a paz", mas há o temor de que o retorno do político possa atrapalhar as importantes eleições presidenciais marcadas para este domingo na nação caribenha. Um avião privado levando Aristide, primeiro presidente democraticamente eleito do Haiti, pousou em Porto Príncipe na manhã de hoje. O ex-líder estava vivendo exilado na África do Sul. Falando aos jornalistas e aos haitianos que se reuniram ao redor de televisores e rádios em todo o país, Aristide disse que a decisão do governo de proibir seu partido, o Família Lavalas, retira o direito ao voto da maioria do país. "Ao excluir o Lavalas, vocês cortam os laços que unem o povo", disse. "A solução é incluir todos os haitianos como seres humanos". O conselho eleitoral do Haiti proibiu o Lavalas de participar da eleição por razões técnicas que, segundo os seus partidários, são falsas. Muitos dos integrantes do partido vão boicotar o segundo turno da eleição. Aristide comparou seu retorno ao Haiti à revolução que, em 1804, encerrou a escravidão no país, que na época era colônia da França. "Irmãos e irmãs, por sete anos nós nos comunicamos à distância. Hoje, estamos em casa de novo para trazer a paz, todo os dias, juntos". Mais tarde, milhares de pessoas se reuniram do lado de fora da casa do ex-presidente e se amontoaram ao redor do veículo que o levou do aeroporto até o local, na expectativa que ele falasse. Mas ele não fez novas declarações. Apesar das afirmações de seus partidários de que Aristide não se envolverá em política, os Estados Unidos e outros países temem que sua presença possa provocar confusão no país. "Vamos ficar aqui até ele nos dizer o que fazer", disse Tony Forest, motorista de ônibus de 44 anos, que estava em frente à casa de Aristide. "Vamos votar no candidato que ele escolher". O padre que trabalhava em favelas chegou ao poder, em 1991, se opondo ao clã Duvalier, que governava o país ditatorialmente. Após tomar medidas consideradas uma afronta pelos mais ricos, Aristide foi deposto em um golpe militar sete meses depois. Mas acabou voltando ao poder em 1994, com a ajuda de 20 mil soldados norte-americanos enviados pelo então presidente Bill Clinton. Aristide obteve um segundo mandato, em 2001, mas perdeu o apoio internacional após realizar algumas reformas. Foi forçado a deixar o poder novamente em 2004, em meio a uma rebelião popular. É largamente admitido que os EUA aprovaram tacitamente essa rebelião. No domingo, enfrentam-se no segundo turno eleitoral a ex-primeira-dama Mirlande Manigat e o popular cantor Michel Martelly. No primeiro turno houve vários casos de violência e fraudes. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.
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