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Forças de Kadhafi lutam por controle de cidade líbia próxima a Trípoli

Da Redação ·
 Líbio inspeciona local de explosão ocorrida nesta madrugada na cidade de Benghazi, tomada por opositores
fonte: Tara Todras-Whitehill/AP
Líbio inspeciona local de explosão ocorrida nesta madrugada na cidade de Benghazi, tomada por opositores

O ditador líbio, Muammar Kadhafi, enviou mais tropas para tentar reassumir o controle da cidade ocidental de Zawiyah, a 50 km da capital, Trípoli, neste sábado (5), após se deparar com a resistência dos rebeldes. Segundo canais de televisão árabes, tanques dispararam contra edifícios residenciais.

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Agências de notícias informam que a cidade está cercada pelas tropas do governo. Zawiyah é a região mais próxima de Trípoli a ser disputada, e sua defesa pode ser crucial para que o regime garanta o controle da capital.
 

"Agora, com toda a artilharia, tanques e veículos blindados, estamos vendo as batalhas e assassinatos que não vimos no Iraque. Considero genocídio total", disse uma testemunha que falou à televisão saudita 'Al Arabiya' em Zawiyah. "As batalhas entraram na cidade. Mais de 15 veículos blindados entraram duas horas atrás, juntamente com um tanque. Há disparos em todas as áreas e as mesquitas anunciaram 'jihad' [guerra santa] contra essas brigadas', disse o homem à 'Al Arabiya'.


A rede 'Al Jazeera' noticiou informações semelhantes sobre a luta em Zawiyah, a oeste da capital, e disse que os tanques tinham ateado fogo em casas.

Segundo a agência de notícias Reuters, o porta-voz da força rebelde em Zawiyah disse que as forças de Khadhafi haviam retomado controle amplo da cidade costeira do Mediterrâneo depois de lutas na sexta-feira. "Alguma coisa ruim vai acontecer hoje. Vai ser uma guerra", disse o porta-voz Youssef Shagan por telefone, de Zawiyah. "Há tanques ao redor de toda praça. Eles fecharam todas as estradas, estão usando tanques e armas pesadas para cobrir seus soldados. Queremos tomá-la de volta [Zawiyah] de qualquer maneira."
 

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No leste da Líbia, rebeldes disseram que haviam ganho mais terreno em um impulso para o ocidente contra as forças de Kadhafi, tomando a cidade de Bin Jawad, a cerca de 525 km a leste de Trípoli.
 

No começo do dia, o conflito estourou novamente na região petrolífera de Ras Lanuf, a 660 km de Trípoli, quando rebeldes dispararam contra um helicóptero do exército, um dia depois que se relatou a captura da cidade pelos opositores, disseram testemunhas. Segundo a agência de notícias France Presse, pelo menos oito pessoas morreram e 21 ficaram feridas nos combates de sexta-feira em Ras Lanuf.
 

A insurreição de duas semanas contra quatro décadas de regime autocrático de Kadhafi promoveu rebeldes indisciplinados, mas dedicados, geralmente dominante no leste da Líbia, contra o governo no oeste. Mas os últimos confrontos têm sugerido que as linhas de frente estão longe de serem definidas e que podem mudar rapidamente.

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Conselho
O "Conselho Nacional", criado pela oposição líbia para derrubar o coronel Muammar Kadhafi e preparar uma transição política, terá sua primeira reunião formal neste sábado, em um lugar secreto, declarou à agência France Presse o porta-voz do movimento, Mustafah Gheriani. "É um tema de segurança. Kadhafi continua assassinando pessoas", declarou.
 

O ex-ministro da Justiça Mustafah Abdeljalil, uma das primeira personalidades do regime a passar à oposição, foi nomeado presidente do conselho, que tem 30 membros.
 

Também neste sábado, o filósofo francês Bernard-Henri Lévy se reuniu com membros do Conselho Nacional Independente. "Me reuni com os representantes do Conselho Nacional. Aqui estão acontecendo fatos extraordinários que ninguém havia previsto. Quis compreender por conta própria", explicou o filósofo, que desembarcou na Líbia há dois dias.