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Muçulmanos confrontam a polícia na Indonésia

Da Redação ·
Muçulmanos incendiaram igrejas e entraram em confronto com a polícia hoje na Indonésia, país com mais muçulmanos no mundo e que enfrenta uma onda de violência religiosa. Dois dias após uma multidão de muçulmanos matar três membros de uma seita islâmica minoritária, muitos muçulmanos furiosos incendiaram dois templos católicos e saquearam um terceiro, na cidade de Temanggung, província de Java Central, segundo a polícia. Os muçulmanos exigem a pena de morte para Antonius Bawengan, de 58 anos, um cristão sentenciado à pena máxima de cinco anos por distribuir folhetos insultando o islamismo. "Hoje foi o auge do julgamento. A multidão gritou que ele deveria receber a pena de morte ou ser entregue ao público", disse um porta-voz da polícia provincial de Java Central. Do lado de fora do tribunal, os manifestantes pressionavam pela morte do homem. O ataque aos templos católicos ocorreu em uma área onde muçulmanos e cristãos normalmente convivem pacificamente. Uma escola católica também foi atacada. Cerca de 1.500 manifestantes atiraram pedras nos policiais, que responderam com gás lacrimogêneo e tiros de advertência. Uma viatura foi incendiada na confusão, que começou do lado de fora do tribunal e se espalhou pela área. A Indonésia, muitas vezes citada como nação pluralista, sofre com uma onda de violência religiosa no momento em que o governo busca combater o extremismo e demonstrar seu compromisso com a diversidade. A Constituição da Indonésia garante a liberdade de religião, mas grupos pelos direitos humanos afirmam que a violência contra minorias como cristãos e a seita muçulmana Ahmadiyah tem piorado desde 2008. Menos de três meses atrás, o presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou o "espírito de tolerância religiosa" da Indonésia como "um exemplo para o mundo", durante uma visita a Jacarta em novembro. Hoje, o embaixador norte-americano no país, Scot Marciel, divulgou comunicado "deplorando a violência". Grupos pelos direitos humanos, entre eles a Anistia Internacional, afirmam que a intolerância está em alta no país de 240 milhões de habitantes, 80% dos quais são muçulmanos. O presidente Susilo Bambang Yudhoyono condenou a violência do domingo, mas defendeu a lei de 2008 que bane a seita Ahmadiyah de disseminar sua fé, usada pelos conservadores para justificar seus ataques à seita. A polícia sabia dos planos dos extremistas, mas não interveio, exceto para advertir os membros da seita para que fugissem. Três membros da seita foram mortos, cinco feridos com gravidade e outros dois estão desaparecidos. A polícia disse que dois homens foram presos hoje por relação com os homicídios. A seita Ahmadiyah rompeu com a maioria dos muçulmanos pois acredita que o fundador dessa corrente, Mirza Ghulam Ahmad, é o último profeta do Islã, e não Maomé. Um porta-voz da seita qualificou os ataques como "sádicos" e pediu proteção ao presidente. "As pessoas que fizeram isso são desumanas, elas não têm nenhuma consciência", afirmou um porta-voz da seita. As informações são da Dow Jones.
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