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Egípcios pedem mais ações na 3ª semana de protestos

Da Redação ·

Manifestantes se concentram hoje na Praça Tahrir, na capital do Egito, em meio a pedidos por mais ações nas ruas para marcar o início da terceira semana de protestos contra o governo. Milhares de pessoas estão na praça no centro do Cairo, pedindo o fim do regime de três décadas de Hosni Mubarak.


Muitos manifestantes dormem em tendas ou com cobertores perto dos tanques do Exército. "O povo quer o fim do regime", afirma uma grande faixa na praça. Aos 82 anos, Mubarak está no poder desde 1981. As manifestações continuam apesar dos anúncios do regime, propondo reformulações no gabinete e reformas políticas, mas sem a renúncia do líder.


"As músicas patrióticas sobre o país costumavam soar exageradas, mas nós possuímos o país agora", afirmou Issam Shebana, um médico de 34 anos que voltou de Sharjah, nos Emirados Árabes, para trabalhar em uma clínica improvisada na praça. "Eu nunca pensei que dormiria no asfalto com a chuva no meu rosto e me sentiria feliz", comentou ele, definindo a manifestação contra o governo como "inspiradora" e "um renascimento".


A internet tem sido usada para mobilizar os protestos. Em seu site, o Movimento 6 de Abril, um dos envolvidos, convocou grandes manifestações para hoje. "Ninguém pode nos impedir de continuar, pelo nosso país", afirmou o grupo.


Ontem, Mubarak tentou ganhar tempo e apoio, comprometendo-se a aumentar em 15% o salário do funcionalismo público. O presidente se reuniu pela primeira vez com seu novo gabinete, enquanto o regime tenta manter a economia funcionando. Segundo a agência estatal MENA, o gabinete aprovou um plano para destinar US$ 940 milhões para melhorar as pensões do país.


Mubarak também se comprometeu a lançar uma investigação "independente" sobre a violência entre manifestantes pró e contra o regime na última quarta-feira, na Praça Tahrir, que deixou 11 mortos e quase mil feridos, segundo estimativas oficiais. O presidente "deu instruções para a criação de uma comissão transparente, independente e imparcial", afirmou a MENA. A comissão investigará "as terríveis e inaceitáveis violações que transformaram alguns manifestantes em vítimas inocentes", segundo a agência estatal.


O aumento de salários pode garantir o apoio a Mubarak entre o importante setor da administração pública e as forças de segurança do país. Mas não há sinal de que os manifestantes pretendem ceder espaço. Eles seguem impedindo o acesso ao Mugamma, o complexo de prédios que é o coração da administração do país, localizado na Praça Tahrir.


Entre outras medidas do governo para retomar a economia, o toque de recolher durante a noite em três cidades, incluindo o Cairo, foi relaxado para começar a valer às 20h. Antes, começava às 19h. A restrição à circulação de pessoas vigora até às 6h da manhã. A Bolsa de Valores do Egito deve reabrir neste fim de semana.


No último domingo, o vice-presidente Omar Suleiman - principal nome do governo de Mubarak e seu possível sucessor - tentou acalmar os manifestantes, convidando vários grupos da oposição para unirem-se a ele em um comitê para discutir reformas democráticas. O governo afirmou que os partidos concordaram em estabelecer um grupo para examinar emendas constitucionais até março, enquanto um escritório receberia reclamações sobre o tratamento de presos políticos e a repressão à mídia. Mas Suleiman disse que não assumirá os poderes de Mubarak durante a transição.


Os partidos de oposição, incluindo a poderosa Irmandade Muçulmana, repetem sua exigência de que Mubarak deixe o poder imediatamente ou delegue suas funções para Suleiman. O ditador já disse em entrevista que estava "cheio" de ficar no poder. Mas argumentou que precisa permanecer no comando até as eleições de setembro, para garantir a estabilidade do país.


Enquanto isso, os Estados Unidos pediram para o Egito respeitar os tratados existentes, em aparente referência ao acordo de paz com Israel. Washington "será um parceiro" de um governo egípcio que "cumpra os tratados e obrigações" em vigor, disse um porta-voz do presidente Barack Obama. O Egito tem tido um papel crucial no processo de paz do Oriente Médio, tornando-se o primeiro país árabe a reconhecer oficialmente Israel, em 1979. As informações são da Dow Jones.

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