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No Egito, Mubarak aumenta salários para obter apoio

Da Redação ·
 Presidente Hosni Mubarak, em pronunciamento oficial nesta terça-feira
fonte: Reuters
Presidente Hosni Mubarak, em pronunciamento oficial nesta terça-feira

O líder da Irmandade Muçulmana, Essam al-Erian, afirmou ontem que o suposto "comunicado conjunto" divulgado pelo governo depois da reunião de domingo foi redigido depois que os representantes da oposição saíram. Os oposicionistas, assim como os manifestantes que ocupam a Praça Tahrir, no centro do Cairo, reafirmaram a sua principal exigência - a saída imediata do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.


Indiferente às reclamações, Mubarak reuniu-se ontem pela primeira vez com seu novo gabinete. A TV estatal exibiu imagens do presidente conversando sorridente com seu vice, Omar Suleiman - ex-chefe do serviço secreto, que conduz as negociações com a oposição -, com o primeiro-ministro Ahmed Shafik e com o ministro da Defesa, Hussein Tantawi. A imagem, assim como o imenso retrato a óleo de Mubarak na sala de reuniões em que se realizam as conversações com a oposição, parece destinada a mostrar que o presidente continua no comando.


Numa clara tentativa de aumentar seu respaldo popular, o governo anunciou ontem um aumento de 15% nos salários e aposentadorias do funcionalismo, a partir de abril. O Egito tem seis milhões de funcionários públicos, numa população de 85 milhões. A maioria reclama de salários baixos. Dois funcionários do Ministério da Cultura disseram receber 250 libras egípcias, ou cerca de US$ 40 por mês. O aluguel de um apartamento pequeno no Cairo custa 400 libras.


De acordo com o novo ministro das Finanças, Samir Radwan, o aumento custará US$ 960 milhões a mais por mês. Antes dos distúrbios, as contas externas do Egito já estavam pressionadas pelo aumento dos preços internacionais dos alimentos. O Egito importa praticamente todo o alimento que consome. A crise foi agravada pela onda de protestos que paralisou o país e interrompeu duas de suas principais fontes de receita: o turismo, que representa 11% do Produto Interno Bruto, e as remessas de dinheiro por egípcios que vivem no exterior - outros 4%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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