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Novo Congresso venezuelano assume sob protestos

Da Redação ·
 Militantes da oposição protestam em diante da Assembleia Nacional em Caracas, nesta quarta-feira (5)
fonte: Juan Barreto / AFP
Militantes da oposição protestam em diante da Assembleia Nacional em Caracas, nesta quarta-feira (5)

Os integrantes da nova Assembleia Nacional venezuelana assumiram seus cargos nesta quarta-feira sob o domínio da bancada do governo que, embora tenha a maioria dos votos, vai conviver com um bloco opositor que ameaça se converter no maior obstáculo político do presidente Hugo Chávez em seus quase 12 anos de mandato.


Na primeira medição de forças, os dois grupos convocaram concentrações de rua nos arredores da Assembleia, sob a vigilância das forças de segurança, que informaram que manterão os grupos separados para evitar enfrentamentos. A nova formação do Congresso marca o regresso da oposição à maior vitrine política do país, da qual esteve afastada desde 2005, quando não apresentou candidatos para as eleições legislativas daquele ano, alegando irregularidades. A medida abriu caminho para que o governo controlasse quase todos os 165 assentos da câmara após o pleito.


A presença de 67 novos deputados opositores suscitou grande expectativa ante o eventual risco de intensos confrontos, tanto dentro do Congresso como nos arredores do prédio do Legislativo, onde frequentemente surgem grupos radicais simpatizantes do governo. Segundo o analista político Ricardo Sucre, na nova Assembleia haverá uma "força do governo tentando impor um modelo autoritário e uma força democrática evitando que isso ocorra".


Ontem, Chávez negou sentir qualquer preocupação com o bloco opositor e defendeu o trabalho da bancada governista que, de forma atropelada, aprovou em dezembro vinte leis entre as quais a que incluiu uma norma que dá ao presidente plenos poderes para governar até junho de 2012, seis meses antes das eleições presidenciais, quando Chávez vai tentar a reeleição. "Estou contente porque eles decidiram fazer política e oxalá se dirijam até lá (ao Congresso) para fazer política. Isso nos obriga a fazer o jogo político", disse Chávez, que dias atrás assegurou que a Assembleia Nacional será "um dos grandes cenários da batalha de 2011".

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