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Moradores do Complexo do Alemão têm Natal incomum

Da Redação ·
Perto da meia-noite do dia 24, quando o barulho dos fogos de artifício no Morro do Adeus ia aumentando, a dona de casa Nanci Regente Machado, de 57 anos, há 50 moradora do Complexo do Alemão, na zona norte carioca, ironizava: "Não precisa se espantar que é tudo falso. Se fosse há alguns anos, eu não garantiria". Nanci preparava a ceia na cozinha de sua casa de quatro cômodos. O Morro do Adeus é a região mais "tranquila" do complexo, que compreende 13 favelas e abriga cerca de 65 mil habitantes. Nanci afirma que, mesmo na época em que sabia quem eram os traficantes, jamais se envolveu com a vizinhança. "Eles agora estão comendo capim. Morreu todo mundo." Na sala estavam seu marido, a filha do primeiro casamento e os três netos, Raquel, de 8 anos, Renato, de 12, e o mais velho, René Silva, de 17, que em novembro despontou para a fama depois de tuitar minuto a minuto a ocupação do complexo pelas forças de segurança. No começo, René tinha 190 seguidores na rede de microblogs twitter. Hoje, eles são 39 mil. A ocupação foi notícia no mundo todo. Pela primeira vez, o Exército e a Marinha cederam seus efetivos para uma operação urbana desse tipo, auxiliando a polícia do Rio. Mais de 800 soldados ainda reforçam o policiamento no local. A tomada do Alemão foi uma resposta a ataques realizados pela facção criminosa Comando Vermelho. Fundador do jornal Voz da Comunidade, que tem cinco adolescentes como repórteres, René recebeu convite para participar do programa de Luciano Huck, conseguiu bolsas em uma faculdade de jornalismo para toda a redação e não para de receber ofertas de patrocínio. Três operadoras de celular brigam para ter o nome associado ao dele; uma empresa de informática ofereceu computadores; outras duas, de cosméticos e chocolates, e um banco também investem nele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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