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WikiLeaks: chegada de Zelaya atordoou Itamaraty

Da Redação ·

Em meio à crise em Honduras, em 2009, a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa foi ameaçada de explosão. O alerta por telefone, recebido pela embaixada em Washington, pôs a diplomacia brasileira em cooperação com o Serviço Secreto dos Estados Unidos para rastrear a fonte da ameaça. O fato foi registrado em um dos 13 telegramas enviados pela embaixada americana em Brasília ao Departamento de Estado e vazados ontem pelo WikiLeaks.


O conjunto de relatos mostra o governo brasileiro "perdido", "sem planos" e ansioso por ações mais efetivas da Casa Branca. Os telegramas vazados foram redigidos entre 4 de setembro de 2009 e 19 de fevereiro de 2010, período em que as relações entre o Brasil e os EUA foram contaminadas pela crise em Honduras. Destituído por um golpe militar e exilado em junho do ano passado, o então presidente, Manuel Zelaya, retornara a Tegucigalpa e pedira abrigo na embaixada brasileira em 21 de setembro. A autorização partira do então secretário-geral das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, apontado em outros telegramas como um "antiamericano" e "obstrutor" da relação Brasil-EUA.


Com o título "Brasil carece de estratégia em Honduras", o texto de 2 de outubro de 2009 não traz maiores detalhes sobre a ameaça de bomba na embaixada em Tegucigalpa. O diplomata dos EUA mostra ter sido informado sobre o assunto pela Divisão de México e América Central. Também é informado que o Brasil, naquele momento, não havia uma estratégia para lidar com a crise e o Brasil esperava uma posição mais forte do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O americano conclui que esse setor do Itamaraty transformara-se em uma "sala de crise". Mas apenas para processar as informações - não para planejar uma solução.


Em telegrama de 20 de novembro de 2009, o embaixador Antonio Patriota, secretário-geral das Relações Exteriores - hoje, futuro chanceler -, afirma a um diplomata americano que a situação de Honduras "não era positiva para a relação Brasil-EUA". Mas, sugere que a postergação das eleições presidenciais hondurenhas, poderia favorecer uma solução porque daria tempo para o retorno de Zelaya ao poder. Segundo Patriota, sem essa medida, o Brasil não teria como reconhecer o novo governo do país. A eleição acabou ocorrendo no dia marcado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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