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Haiti adia anúncio do resultado da recontagem de votos

Da Redação ·
 Cartazes pichados do candidato de situação, Jude Celestín. Há inúmeras acusações de fraude nas eleições presidenciais do Haiti e onda de protestos atinge o país desde o início de dezembro
fonte: UOl
Cartazes pichados do candidato de situação, Jude Celestín. Há inúmeras acusações de fraude nas eleições presidenciais do Haiti e onda de protestos atinge o país desde o início de dezembro

O resultado da recontagem dos votos do primeiro turno das eleições presidenciais do Haiti foi adiado. A publicação estava prevista para a próxima segunda-feira (20), mas segundo o diretor geral da Comissão Eleitoral Provisória (CEP), Pierre Louis Opont, uma nova data será definida durante reunião entre os membros do CEP. Opont disse que o motivo do adiamento é o temor de mais protestos como os que marcaram o início do mês, quando quatro pessoas foram mortas.
 

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O adiamento da publicação dos resultados da recontagem dos votos é mais um capítulo da “novela” em que as eleições presidenciais haitianas se transformaram. O pleito foi realizado no dia 28 de novembro. Porém em meio a inúmeras denúncias de fraudes, os resultados foram divulgados no dia 7 de dezembro. A partir daí, seguiram-se quatro dias de protestos.
 

Entre os motivos dos protestos estão as denúncias de que teria havido fraude em favor do candidato Jude Célestin, apoiado pelo presidente René Preval. As pesquisas de opinião indicavam que os dois candidatos que iriam para o segundo turno das eleições eram a oposicionista Mirlande Manigat e o cantor pop Michel Martelly. Após pressão da comunidade internacional, a CEP anunciou que faria uma recontagem dos votos e que o resultado seria divulgado nesta segunda-feira (20).
 

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“A situação no Haiti ficou fora de controle. Vamos nos reunir nesta segunda-feira para definir uma nova data. Uma data que seja segura e boa para o país”, disse Opont.
 

O anúncio de que a publicação da recontagem dos votos será adiado aconteceu um dia depois do pedido feito pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que pediu mais tempo ao presidente René Preval para que técnicos da instituição verificar se houve ou não fraudes no processo eleitoral. A OEA quer acesso irrestrito aos dados das votações.
 

Apesar do pedido de Insulza, o diretor-geral da CEP, Pierre Louis Opont, enfatizou que o adiamento da publicação dos resultados do primeiro turno não tem a ver com a solicitação feita pelo secretário-geral da OEA ao presidente Preval. “Não chegou nenhum pedido dessa natureza até nós”, disse Opont.
 

O adiamento dos resultados do primeiro turno deverão causar ainda mais confusão em Porto Príncipe, capital do país. Nas estações de rádio, os protestos previstos para o dia 20 já eram dados como certos. No sábado (18), houve uma verdadeira corrida aos postos de gasolina. Há o temor de que os protestos paralisem o Haiti como ocorreu no início do mês quando até os aeroportos tiveram de ser fechados em função dos distúrbios.