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Premiê do Kosovo quer processar procurador europeu

Da Redação ·
O primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaci, pretende processar um procurador europeu, cujo relatório sugere que ele assassinou civis detidos para roubar os rins das vítimas, quando liderava o Exército de Libertação do Kosovo (KLA, na sigla em inglês) no fim da década passada. A informação de que Thaci pretende acionar nos tribunais o procurador Dick Marty, investigador do Conselho da Europa, partiu de um funcionário kosovar. Marty abalou o Kosovo com seu relatório, o qual afirma que o KLA executou civis para depois vender os rins das vítimas no mercado negro, sugerindo que Thaci era o "chefão" de um esquema no submundo albanês. Marty deverá falar mais tarde hoje em coletiva de imprensa em Paris. Parte do conteúdo do relatório de Marty, contudo, vazou nos últimos dias para o diário britânico The Guardian. O governo kosovar disse que as acusações contra Thaci são "invenções". No entanto, a União Europeia e o governo dos Estados Unidos afirmaram hoje que desejam informações mais detalhadas sobre as supostas atividades criminosas de Thaci. O primeiro-ministro kosovar liderou o KLA durante a guerra de 1998 e 1999 pela independência da Sérvia. O partido do líder dos albaneses étnicos do Kosovo venceu as eleições na antiga província sérvia há duas semanas, no primeiro sufrágio desde que o Kosovo declarou sua independência em 2008. Thaci, contudo, não aparece em público desde a terça-feira desta semana, quando o Guardian publicou a reportagem.

O funcionário do governo kosovar afirmou que Thaci também estuda processar o The Guardian. Marty, um senador suíço, liderou uma equipe de investigadores europeus ao Kosovo e à Albânia em 2009, após acusações de que o KLA realizava tráfico de órgãos humanos. Essas acusações foram relatadas em um livro escrito por Carla Del Ponte, ex-procuradora do tribunal de crimes de guerra das Nações Unidas.

A investigação de Marty descobriu que existiam prisões clandestinas na Albânia, onde tanto opositores ao KLA quanto sérvios ficaram presos após o fim da guerra em 1999, incluído um centro de detenção organizado para o crime do tráfico de órgãos.

Investigadores da União Europeia que foram atrás das acusações de que o tráfico de órgãos acontecia no norte da Albânia disseram não ter encontrado provas. A força policial europeia no Kosovo pediu ontem que as pessoas que possuem provas sobre os crimes apresentem os documentos. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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