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'Estamos em guerra', diz chefe do Estado-Maior da PM

Da Redação ·
 Veículos blindados são levados por policiais do Batalão de Operações Especiais (BOPE) ao Complexo de Favelas da Vila Cruzeiro, no Rio
fonte: AE
Veículos blindados são levados por policiais do Batalão de Operações Especiais (BOPE) ao Complexo de Favelas da Vila Cruzeiro, no Rio

Fuzileiros navais colaboram com as equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na megaoperação na Vila Cruzeiro, Complexo da Penha, zona norte do Rio nesta quinta-feira (25). A Marinha cedeu 12 veículos blindados e dois caminhões. Seis dos blindados já estão no local e outros seis a caminho. Ao todo, são 150 homens do Bope e 80 fuzileiros navais.
 

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Presente na megaoperação, o chefe do Estado-Maior da PM, comandante Álvaro Garcia afirmou que "estamos em uma guerra".
 

De acordo com ele, os blindados da Marinha vão ajudar na transposição das barricadas montadas pelo tráfico. “A gente tem informações de que vários caminhões e ônibus, além de óleo na pista, estão sendo usados pelos marginais”. O comandante, porém, descartou o uso da metralhadora .50. "Estamos numa guerra, mas neste nível não", avaliou.
 

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Diante dos confltos que aterrorizam os cariocas, Garcia, pediu que a população não saia de casa nesta quinta-feira (25).
 

É a primeira vez que blindados são trazidos a operação no Rio
 

O iG apurou que os blindados são de modelo M-113 e nele cabem 12 homense. Também estãos endo utilizados Carro Largarta Anfíbios (Clanf). As viaturas blindadas servem para transporte de tropas e transposição de obstáculos. Policiais do Bope ocuparão os veículos durante a operação. É a primeira vez que equipamento deste tipo é utilizado pelas forças de segurança no Rio de Janeiro
 

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O comboio da polícia, com mais de dez veículos do Bope, está lá desde hoje pela manhã. O clima é de tensão. Há intensa troca de tiros na região e a rua Ibiapina, paralela à linha do trem, está fechada. Dois tratores do Bope ajudaram a derrubar barricadas construídas pelo tráfico nos acessos à favela.Caminhões de lojas de eletrodoméstico em chamas são utilizados pelos bandidos para construir a barricada.
 

Moradores da região se dividem ao opinar sobre a atuação das forças de segurança
 

Morador da Penha há 20 anos, o comerciante Marco Aurélio Ferreira da Silva, 55 anos, apóia os ataques. “Já estava mais que na hora das forças armadas assumissem o papel da polícia. Eu nunca vi algo parecido, só em filme. Esse clima de guerra tem que acabar”, disse ao iG.
 

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Já Maria Elizabeth da Silva, dona de casa, foi pegar o filho de quatro anos mais cedo em uma creche na Vila Cruzeiro, disse estar apavorada. “Nunca vi algo igual. Meu marido não vai trabalhar a dois dias”, revelou. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, no turno da manhã desta quinta-feira, 17 escolas e 12 creches não funcionaram. Essas unidades, que atendem 12.414 alunos, estão localizadas, principalmente, na Zona Norte da cidade.
 

Além dos blindados, a Marinha cedeu à Polícia Militar armas, munições e óculos de visão noturna. A ajuda é resultado de pedido feito pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, ontem.
 

Além disso, cerca de cem homens da Polícia Civil fazem operação na favela do Jacarezinho, na zona norte. Segundo a corporação, sete suspeitos de tráfico de droga foram mortos.