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Mulheres chefiam três em cada dez famílias

Da Redação ·
 A cearense Tereza da Silva faz dupla jornada para sustentar os cinco filhos
fonte: Gustavo Gantois/R7
A cearense Tereza da Silva faz dupla jornada para sustentar os cinco filhos

Na casa da cearense Tereza da Silva, 48 anos, o porta-retrato sobre a estante mostra uma foto na qual ela aparece com os cinco filhos. Seria apenas um momento na história da família, não fosse o fato de que essa foto representa cada vez mais o papel da mulher na sociedade brasileira.

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Tereza é empregada doméstica em Brasília e uma das quase 22 milhões de mulheres que são chefes de família. Obrigadas a criar e educar os filhos, além de trabalhar para garantir o sustento, elas fazem parte de um estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que, utilizando dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2009, mostra que a proporção de famílias chefiadas por mulheres subiu de 27% para 35% entre 2001 e 2009.

- É complicado sustentar uma casa sozinha. Meus filhos acabam ajudando, mas se o homem não quer, fazer o que, né?

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O estudo do Ipea mapeou as situações em que elas mandam no pedaço. Há casas onde as mulheres moram apenas com os filhos (17,3%), outras onde o casal e as crianças dependem do trabalho delas (6,6%) e, ainda, aquelas sem filhos, onde o marido ou companheiro acaba deixando todo o comando com a mulher (2,5%).

É o caso de Divanete Soares, moradora de São Sebastião, cidade satélite de Brasília. Diva, como prefere ser chamada, não sente o menor constrangimento em dar as ordens dentro de casa. Ela ganha R$ 1.000 como doméstica trabalhando num bairro nobre da capital, quase três vezes mais que o marido. Ele recebe R$ 350 fazendo bicos como jardineiro.

- Se eu ganho mais que ele, ele é que devia achar ruim. Mas ele não está nem aí.

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Mesmo trabalhando em período integral, Diva ainda tem de arrumar tempo para cuidar da casa e dos quatro filhos, entre 2 e 15 anos, que ajudam nas tarefas domésticas.

- Eu nem peço mais ajuda. Os homens de hoje querem tirar o pé fora e deixar o pesado com as mulheres.

Essa dupla jornada também foi analisada pelo Ipea. E os números mostram uma realidade digna de Mulher-Maravilha. As mães sem companheiro acabam cumprindo uma jornada de 26 horas semanais com trabalhos domésticos e de quase 37 horas com trabalho remunerado.

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Esse número cresce ainda mais entre as mulheres casadas e com filho. Em média, elas trabalham 30 horas por semana em casa e outras 36,5 horas são dedicadas ao trabalho remunerado. Para efeito de comparação, os homens na mesma situação trabalham apenas 10 horas em casa e 44 horas na rua. É uma diferença de mais de 12 horas semanais de trabalho.

O estudo do Ipea também revela detalhes sobre a vida dessas mulheres. A idade das chefes de família é superior à dos homens. Enquanto elas têm, em média, 48,5 anos, eles ficam nos 46. Em relação à educação, as mulheres têm mais anos de estudo que os homens chefes de família – 7,1 anos para elas, contra 6,9 deles.

O problema verificado, no entanto, é que mesmo com uma idade maior e com mais tempo de estudo, elas continuam ganhando menos que os homens.

Entre os casais sem filhos, a renda média do trabalho principal das mulheres chefes de família representa cerca de 80% da renda dos homens (R$ 1.039,93 contra R$ 1.303,03). No caso dos casais com filhos, a renda delas representa 73% da renda médias deles (R$ 958,21 contra R$ 1.313,81). Nas famílias onde apenas elas são responsáveis pela casa, a diferença é ainda maior: as mulheres ganham, em média, R$ 763,68.