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Jovem canadense ligado à Bin Laden se declara culpado

Da Redação ·
 Base militar americana de Guantánamo, em Cuba; canadense Omar Khadr se declara culpado por crimes de guerra
fonte: Virginie Montet/23.10.2010/AFP
Base militar americana de Guantánamo, em Cuba; canadense Omar Khadr se declara culpado por crimes de guerra

O jovem canadense Omar Khadr, acusado pelos Estados Unidos de cometer crimes de guerra, se declarou culpado nesta segunda-feira (25) de todas as acusações feitas contra ele ante o tribunal militar de exceção de Guantánamo, base naval americana em Cuba.

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Khadr, de 24 anos, foi capturado pelos EUA aos 15, em 2002, no Afeganistão, e é acusado de lançar uma granada que matou um soldado americano e de ter preparado bombas artesanais com a intenção de matar militares. Ele é o primeiro menor de idade desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que foi a um tribunal militar por atos supostamente cometidos quando era menor.

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Durante audiência de uma hora, o juiz militar e coronel Patrick Parrish leu as cinco acusações das quais o jovem admitiu culpa: crimes de guerra, assassinato, complô, apoio material ao terrorismo e espionagem.

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"O senhor se declara culpado por vontade própria?", perguntou o juiz. "Sim", respondeu Khadr, com a barba cerrada, vestindo camisa branca e gravata, e com a cabeça entre as mãos.

Último ocidental ainda preso em Guantánamo, Khadr é filho de um canadense de origem egípcia, com vínculos com o terrorista saudita Osama bin Laden. O pai foi morto em 2003 no Afeganistão.

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Sentença de canadense ainda não foi divulgada

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O acordo amigável - que significa uma sentença reduzida - feito com Khadr não será divulgado aos jurados enquanto eles não revelarem a pena. Por isso, o juiz militar suspendeu a audiência até a terça-feira (26), após a leitura das acusações.

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O acordo dá garantias ao condenado, que poderá pedir e apelar, depois de um ano, para cumprir o resto da pena no Canadá, um obstáculo que durante muito tempo bloqueou as negociações sobre um entendimento entre as partes.

De acordo com o jornal The Miami Herald, que citou um alto funcionário americano, a pena negociada é de oito anos, sete dos quais Khadr poderá cumprir no Canadá.

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Advogado diz que réu é vítima da política canadense e americana

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Segundo advogado civil canadense de Khadr, Dennis Edney, o processo judicial foi “imperfeito" e afirma que Khadr é uma vítima da política canadense e americana.

-É inocente, mas no fim das contas, se declarou culpado.

Já o promotor militar John Murphy comemorou o andamento do processo.

- Omar Khadr não é uma vítima, não é um menino soldado, é um assassino.

Segundo ele, este dia seria um marco na história das comissões militares de exceção, postas em vigor por George W. Bush (2001-2009) e restabelecidas, após reforma, pela administração Obama para julgar alguns prisioneiros de Guantánamo.