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Dissidente cubano ganha o prêmio Sakharov 2010

Da Redação ·
 O dissidente Guillermo Fariñas em foto de abril
fonte: AFP
O dissidente Guillermo Fariñas em foto de abril

O dissidente cubano Guillermo Fariñas, que já iniciou 23 greves de fome contra o regime castrista na ilha, foi anunciado nesta quinta-feira (21) pelo Parlamento Europeu como o vencedor do Prêmio Sakharov 2010 de liberdade de pensamento.
 

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Este é o terceiro Prêmio Sakharov concedido à oposição cubana, após as vitórias de Oswaldo Payá em 2002 e das Damas de Branco, esposas de presos políticos, em 2005.
 

A candidatura de Fariñas, impulsionada pelas forças conservadoras da Eurocâmara, superou as da ONG israelense "Breaking the Silence" (Rompendo o Silêncio) e a da política etíope Birtukan Mideksa.
 

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Apelidado Coco, Fariñas, de 48 anos, transformou-se nos últimos anos em um dos símbolos da oposição cubana. O último jejum voluntário se estendeu de fevereiro a julho em homenagem a seu companheiro dissidente Orlando Zapata Tamayo, morto por longa greve de fome.

Fariñas chegou a ser hospitalizado, inconsciente e desidratado, como consequência de seu protesto, protagonizando imagens que provocaram forte impacto midiático.

Ele encerrou a greve depois que o presidente de Cuba, Raúl Castro, prometeu à Igreja Católica soltar cinquenta presos políticos.

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O governo cubano considera dissidentes como Fariñas mercenários a serviço de seus inimigos nos Estados Unidos e na Europa.
 

A concessão do Sakharov ao opositor cubano representa um claro gesto do Parlamento Europeu, poucos dias antes dos ministros de Exteriores dos 27 estados se reunirem para analisar as relações entre UE e Cuba.
 

A centro-direita da Eurocâmara, especialmente o Partido Popular Europeu (PPE), se opõe frontalmente a modificar a chamada "posição comum", que condiciona a relação a avanços em matéria de direitos humanos.

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Nos últimos meses, o governo espanhol e mais o agora ministro de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, liderou as tentativas para superar essa postura de abrir diálogo com Havana.

A "posição comum" foi aprovada em 1996 por iniciativa do Executivo conservador espanhol presidido por José María Aznar.

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No princípio, os ministros de Exteriores apostarão por manter essa política, embora devam explorar outras vias de relação em resposta aos últimos progressos em matéria de direitos humanos.

50 mil euros

 

Entre os ganhadores em edições anteriores figuram o sul-africano Nelson Mandela (1988), as argentinas Mães da Praça de Maio (1992), o coletivo espanhol contra o terrorismo da ETA "¡Basta Já!" (2000) e o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan (2003).
 

A cerimônia solene de entrega do prêmio ocorrerá em dezembro durante a sessão plenária que o Parlamento Europeu realizará em Estrasburgo (França).