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Assaltos a lotéricas aumentam mais de 40% em Minas Gerais

Da Redação ·

O número de roubos a mão armada em loterias aumentou 40,9% em Minas Gerais neste ano. De janeiro a maio deste ano, 62 casas de apostas foram assaltadas, contra 44 no mesmo período do ano passado.

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Em contrapartida, esses crimes diminuíram 42% nos estabelecimentos bancários na mesma comparação de período entre 2009 e 2010. Especialistas em segurança pública apontam a vulnerabilidade das lotéricas como a principal causa do fato.

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O levantamento, fornecido pelo Cinds/Seds (Centro Integrado de Informações de Defesa Social), mostra que os assaltos de quantias baixas estão crescendo no interior. Das 62 ocorrências registradas pela polícia, 54 (87%) ocorrem fora dos limites da região metropolitana de Belo Horizonte. A Caixa Econômica Federal, responsável pelas loterias no país, não informa os valores levados pelos bandidos. O Sindicato das Empresas Lotéricas de Minas Gerais acredita que as cifras são milionárias.

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As casas lotéricas têm, cada vez mais, feito serviços antes oferecidos por bancos. Atualmente, saques de benefícios e de poupança, depósitos e pagamentos estão, junto com as apostas, entre as opções mais procuradas pelos clientes. O novo presidente do Sincoe/MG, Paulo César da Silva, que toma posse no final deste ano, diz que as casas são mais do que um banco. Para ele, os riscos são cada vez maiores e os profissionais do setor estão preocupados.

Dono de uma loteria na região centro-sul de Belo Horizonte, Paulo César já viveu várias situações de risco. Ele conta que já foi assaltado 12 vezes nos sete anos em que tem o estabelecimento. Na última vez, o prejuízo foi de R$ 11 mil. O empresário ressalta que nem o fato de sua loja ficar a um quarteirão do Palácio da Liberdade e pouco mais de 50 metros de um posto da polícia é capaz de inibir a ação dos bandidos.

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Para o pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais, Róbson Sávio, as casas lotéricas não oferecem a mesma segurança disponibilizada nos bancos. Ele relembra que as agências bancárias possuem segurança armada, porta giratória equipada com detector de metais, entre outros modernos equipamentos de segurança.

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- Os bandidos estão fazendo um cálculo racional. Ou seja, um dos locais onde ele pode conseguir uma boa quantia em dinheiro com um esforço menor é a loteria.

Em nota, a Caixa Econômica Federal informou que são exigidos itens de segurança, como cofre, alarme e circuito fechado de TV. Segundo ela, é repassado aos pontos de venda um adicional mensal exclusivamente para investimento em ações de segurança. O banco informou que somente o montante para todas as lotéricas do país chega a R$ 100 milhões por ano.

Para se proteger, os proprietários das lotéricas precisam de grandes investimentos. Somente para o cofre boca de lobo, alarme e circuito fechado de TV, são necessários R$ 7 mil. Já o comerciante que optar pela blindagem dos guichês poderá gastar cerca de R$ 20 mil.