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Argentina repudia na ONU exercícios militares nas Malvinas

Da Redação ·

O embaixador da Argentina na Organização das Nações Unidas (ONU), Jorge Arguello, entrega hoje (11) ao secretário-geral Ban Ki-moon carta do governo de Cristina Kirchner repudiando a intenção da Grã-Bretanha de fazer exercícios militares nas Ilhas Malvinas. Os exercícios, sob responsabilidade da Marinha britânica, devem começar também hoje na localidade de Port Harriet e envolvem o lançamento de mísseis Rapier terra-ar com alcance entre 400 metros e 6 quilômetros. As informações são da agência de notícias argentina Telam.
 

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Neste fim de semana, o governo argentino pediu explicações sobre os exercícios militares à embaixadora britânica, Shan Morgan, que ainda não se manifestou sobre o assunto. Integrantes da Chancelaria, no entanto, estranharam o repentino repúdio do governo argentino, uma vez que os exercícios são feitos semestralmente nas Ilhas Malvinas há 28 anos.
 

A presidente Cristina Kirchner usou a rede social Twitter para informar que os exercícios militares serão feitos relativamente próximos às cidades de Ushuaia, Río Gallegos e Calafate, afirmando que não há antecedentes de iniciativa semelhante por “uma força de ocupação inglesa”. A presidente considera os exercícios militares uma ação “muito grave, porque serão realizados em território ainda sob disputa perante as Nações Unidas”. “Este é o típico colonialismo do século 19, com o uso anacrônico da força que viola o direito internacional. Serão piratas para sempre?”, escreveu.

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O chanceler argentino, Héctor Timerman, também usou o Twitter para declarar que a Grã-Bretanha tenta militarizar o Atlântico Sul, “evitando cumprir resoluções da ONU”. “A Argentina transita o caminho da paz porque somos assistidos pela razão e pelo direito. Não cairemos em provocações militaristas”.
 

A citação de Timerman sobre a ONU refere-se a duas resoluções sobre o conflito entre a Argentina e a Grã-Bretanha. Em junho, o Comitê de Descolonização do órgão aprovou resolução convocando os dois governos a começar negociações em busca de uma solução pacífica sobre a posse e soberania das Ilhas Malvinas.
 

Esta convocação já constava de uma primeira resolução, de 1965, que considerou as Ilhas Malvinas como “assunto colonial” que deveria ser resolvido entre as partes. A Grã-Bretanha nega-se a discutir a soberania das Malvinas, que está sob seu controle desde 1833. Em 1982, a Argentina invadiu as ilhas para tomá-las pela força, mas em dois meses de combate acabou rendida.