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    "Não existe política de turismo no Brasil", afirma pesquisadora

    Escrito por FolhaPress
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    LEONARDO NEIVA

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A falta de uma política de Estado para o turismo e o excesso de tributações que recaem sobre quem faz viagens nacionais e internacionais impedem que o setor se desenvolva no Brasil na mesma medida que em outros países de destaque na área pelo mundo.

    Os altos impostos cobrados de empresas de aviação, por exemplo, dificulta o crescimento do número de viagens no país, assim como impede que, com preços menores, brasileiros possam viajar a lugares mais distantes no território nacional.

    Essas foram algumas das conclusões a que chegaram especialistas na área em debate durante o seminário Turismo e a Internacionalização do Brasil, promovido nesta quinta-feira (15) pela Folha de S.Paulo, com apoio da Embratur e da CVC, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A jornalista da Folha Joana Cunha fez a mediação.

    "Não existe política de turismo no Brasil", declarou Mariana Aldrigui, professora e pesquisadora na área de políticas públicas de turismo da USP. Segundo ela, o que motivou a criação do Ministério do Turismo, cerca de 15 anos atrás, não foi o desenvolvimento do setor, mas a criação de cargos para acomodar representantes de partidos aliados ao governo.

    Para Aldrigui, apenas investimento financeiro na área também não deve trazer grandes benefícios para a imagem do país no exterior, hoje fortemente associada a casos de violência como a recente intervenção federal no estado do Rio de Janeiro.

    "Nossa imagem só melhora quando trouxermos jornalistas de fora para mostrar uma realidade diferente no Brasil. É preciso primeiro investir em segurança, saúde e educação para depois começar a falar de turismo. Quando estiver tudo em ordem, as pessoas virão, como vão a outros países", afirmou.

    Uma das críticas feitas por Aldrigui foi ao fato de novas políticas para o setor sempre levantarem no governo discussões sobre aumento de taxas e impostos, em vez de fomentar iniciativas que incentivem turistas e empreendedores.

    COMPANHIAS AÉREAS

    Uma das áreas que mais sofrem com os altos impostos é o mercado aéreo, segundo o advogado especializado no setor Guilherme Amaral.

    Para ele, antes de estudar como auxiliar o turismo, o mais importante para o governo é tentar não atrapalhar, com taxas e excesso de burocracia, o trabalho de empresas que atuam hoje na área.

    Segundo Amaral, uma iniciativa que traria benefícios para companhias aéreas e passageiros seria a diminuição e equalização entre todos os estados do país dos preços do querosene de aviação, que hoje implicam cerca de 40% do custo das companhias.

    "A proposta ia ser votada no Congresso, mas senadores de São Paulo fizeram um trabalho em conjunto para que não fosse aprovada", disse o advogado. "Isso porque é o estado que concentra mais voos no país e o que mais arrecada com os impostos da aviação."

    Amaral elogiou a retirada da obrigatoriedade de oferecer serviço gratuito de envio de bagagens, o que, segundo ele, encarecia o valor das passagens. O advogado não soube afirmar, no entanto, se com a iniciativa os preços dos voos diminuíram no país. "Mas a tendência é que a empresa obrigada a levar bagagens gratuitamente e a oferecer outros tantos serviços vai ter preços mais altos", afirmou.

    MAIS DESTINOSO secretário de Turismo de Pernambuco e presidente do Fornatur (Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo), Felipe Augusto Carreras, citou como exemplo positivo no setor uma iniciativa de redução de impostos para as companhias aéreas em seu estado, com o objetivo de incentivar viagens a mais municípios pernambucanos.

    "O estado saiu de 14 destinos domésticos para 30, e de 4 internacionais para 16. Como resultado, passamos a liderar pela primeira vez a movimentação de passageiros do Nordeste, arrecadando o mesmo valor em impostos de antes", contou.

    Carreras ainda fez críticas à falta de um planejamento duradouro para o turismo no Brasil, exemplificando os problemas de visão estratégica com a grande quantidade de trocas de comando no Ministério do Turismo desde sua criação --foram 12 ministros desde 2003.

    "O Brasil foi o único país do mundo que teve seguidamente Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo e Olimpíada e não ultrapassou 7 milhões de turistas internacionais por ano. Ainda por cima, o governo Temer cortou no ano passado 75% do orçamento do Turismo, que já não tinha quase nada", afirmou.

    Além do problema de verbas, a falta de estrutura para receber turistas e a grande quantidade de notícias negativas sobre o país divulgadas em redes sociais acabam minando as perspectivas do turismo, segundo a gerente de Comércio e Serviços do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Ana Clévia Lima.

    "Vivemos em um mundo disruptivo, em que se compartilham experiências positivas ou negativas, gerando imagens para milhões de pessoas todos os dias. Fazer com que os visitantes sintam-se seguros, com acesso a todas as necessidades, permitindo que usufruam da viagem e tenham uma estada inesquecível, é o que vai fazer com que os estrangeiros comecem a nos olhar de outra forma", afirmou.

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