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    Turismo brasileiro tem de se internacionalizar, diz presidente da Embratur

    Escrito por FolhaPress
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    THAIZA PAULUZE

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Seguindo o modelo do agronegócio, a internacionalização é o ponto de partida para alavancar o turismo brasileiro, segundo Vinícius Lummertz, presidente da Embratur (Instituto Brasileiro do Turismo), agência que promove o país no exterior. Hoje, o setor representa apenas 3,7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.

    Para ele, o sucesso do agronegócio foi deixar de ser importador para ser exportador. “A verdadeira revolução se deu na relação com as multinacionais produtoras de sementes e de tecnologia e com mercados compradores fora do país”, afirmou, na abertura do seminário Turismo e a Internacionalização do Brasil, realizado pela Folha de S.Paulo, com apoio da Embratur e da CVC, nesta quinta-feira (15), na Pinacoteca do Estado de São Paulo. “Se nós quisermos entrar na OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico], se quisermos competir, temos de internacionalizar”, disse o presidente da Embratur.

    Com a facilitação do processo, seria mais fácil comprar equipamentos para parques temáticos, por exemplo. “Pagamos três vezes mais caro para comprar e implementar uma montanha-russa aqui do que nos Estados Unidos”, afirmou. “A China montou cinco parques da Disney nos últimos anos, cada um a US$ 5 milhões, e não temos nenhum aqui.”

    Outra comparação feita por Lummertz foram os parques naturais. Os EUA têm 19% do território coberto por reservas, enquanto o Brasil tem 66%. Mas os números do turismo são inversos: lá, são 330 milhões de visitantes, aqui, 9 milhões.

    No caso das marinas não é diferente. “Nós levamos 12 anos para liberar uma marina, por causa da insegurança jurídica em todos os segmentos. Na Flórida, em 90 dias, com três folhas de papel, é possível conseguir a liberação. E 10% do lucro é direcionado para projetos na comunidade. É a lógica do ganha-ganha”, afirmou.

    INDUSTRIALIZAÇÃO

    Outra proposta para retomar o crescimento do turismo no Brasil é a industrialização, na visão de Lummertz. Ele citou a França como um bom exemplo. “Eles têm uma indústria forte porque têm turismo, e têm turismo porque têm uma indústria forte. O turismo vende o perfume, o alimento, o vinho.”

    No Brasil, segundo ele, quem já coloca a ideia em prática é Gramado (RS). “A cidade vende mobiliário, alimentos, vestuários”, afirmou, lembrando que o turismo movimenta 52 setores da cadeia produtiva e é responsável pela garantia de cerca de 10% dos empregos no país, entre diretos e indiretos. “O setor de turismo e viagens pode fazer muito pela economia brasileira”, afirmou, culpando a rigidez e o engessamento das regulações como culpados pelos baixos números.

    A Embratur conta com uma única fonte de recursos, o Orçamento da União, que vem sofrendo uma série de cortes e contingenciamentos. Em 2016, o valor não passou de 20% do que era destinado há sete anos, num total de US$ 17 milhões.

    Para efeito de comparação, a Argentina investiu no mesmo ano US$ 36 milhões, a Colômbia, cerca de US$ 48 milhões, e o México, mais de US$ 400 milhões, segundo dados da Embratur.

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