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Obra questiona, de modo brilhante, origem e propósitos do material produzido à época

Escrito por FolhaPress
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SÉRGIO RIZZO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Não se pode considerar normal que um filme demore quase dois anos para chegar ao circuito. É o caso de "Imagens do Estado Novo 1937-45", que recebeu menção honrosa do júri no É Tudo Verdade de 2016.

São dois os grandes problemas: que um filme dessa qualidade não encontre janela de exibição, o que diz muito sobre o mercado de cinema; e que um país tão necessitado de conhecer a própria história deixe escapar um exercício de tamanho fôlego sobre um período-chave no Brasil do século 20.

O diretor, roteirista e montador Eduardo Escorel já havia se debruçado sobre a Era Vargas em "1930 - Tempo de Revolução" (1990) e "35 - O Assalto ao Poder" (2002), que reúnem material de arquivo organizado a partir do entendimento de que esses documentos visuais e sonoros "não falam por si".

Escorel lembra que a tarefa principal é "decifrá-los". "Imagens não permitem acesso direto a acontecimentos do passado que representam."

"É preciso investigar suas origens e o propósito com que foram realizados para saber do que tratam", afirma.

Com seus 227 minutos, "Imagens do Estado Novo 1937-45" representa uma brilhante defesa dessa tese e um trabalho exemplar para todo pesquisador disposto a ir além da busca de material (já em si, no país, empreitada respeitável) para iluminar seu significado.

O manancial de informações traz, evidentemente, muito do próprio Getúlio Vargas (1882-1954). Lá está ele, por exemplo, em um momento simbólico peculiar, ao posar para o escultor americano Jo Davidson (1883-1952).

Mostre-nos um homem em flagrante de vaidade explícita, e seremos capazes de avançar um pouco na compreensão de quem foi (ou é). Escorel não se restringe, contudo, a somente explorar material que se relacione diretamente à figura de Vargas (como trechos de seu diário).

Episódios importantes do período são explorados com riqueza de imagens e detalhes, como a campanha presidencial do governador paulista Armando de Sales Oliveira.

Só em 1937, por exemplo, houve a "Macedada" -a libertação pelo então ministro da Justiça, José Macedo Soares, de 300 presos políticos do levante comunista de 1935- e o Massacre do Caldeirão, em Pau da Colher (BA), onde 700 seguidores do beato José Lourenço foram mortos pela polícia e pelo Exército.

E tem mais, muito mais.

IMAGENS DO ESTADO NOVO 1937-45

DIREÇÃO Eduardo Escorel

PRODUÇÃO Brasil, 2016; 10 anos

QUANDO estreia nesta quinta (15)

AVALIAÇÃO muito bom

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