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Fibras beneficiam pessoas com diabetes

PHILLIPPE WATANABE SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma dieta rica em fibras integrais e um determinado grupo de bactérias que acompanha esse tipo de alimentação podem ajudar pessoas com diabetes tipo 2 a controlar a doença. Dados da Organização Mundial da Sa

Da Redação

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Escrito por Da Redação
Publicado em 08.03.2018, 20:45:00 Editado em 08.03.2018, 20:45:09
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PHILLIPPE WATANABE

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma dieta rica em fibras integrais e um determinado grupo de bactérias que acompanha esse tipo de alimentação podem ajudar pessoas com diabetes tipo 2 a controlar a doença.

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que há cerca de 422 milhões de pessoas no mundo com a doença, o que representa cerca de 6% da população. O número de casos tem crescido ao longo dos anos.

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Atualmente o tipo mais comum de diabetes é o 2, do qual trata o estudo publicado nesta quinta-feira (8) na revista Science.

Há uma forte ligação desse tipo de diabetes, que é causado pela crescente resistência do corpo à insulina -hormônio que sinaliza para o corpo capturar o açúcar que circula pelo sangue- ou à produção reduzida dela, com envelhecimento, obesidade e sedentarismo, entre outros fatores.

Dessa forma, a alimentação é um dos "fronts" estudados por pesquisadores para combater o diabetes tipo 2. (Com o objetivo de auxiliar na escolha de terapias mais efetivas, recentemente pesquisadores indicaram que o diabetes deveria ser dividido em cinco tipos).

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No novo estudo da Science, cientistas chineses forneceram uma dieta rica em fibras para um grupo de pacientes diabéticos do tipo 2. Outro grupo de pacientes com a mesma condição seguiu uma dieta padronizada e comumente recomendada.

Com a ideia de ativar a flora intestinal, ambos os grupos tomavam um medicamento para retardar a digestão dos carboidratos, fazendo com que ela ocorresse mais intensamente no intestino grosso -onde a presença de bactérias é maior.

Os pesquisadores verificaram que em ambos os grupos houve ganhos no controle do diabetes, como melhora em exames de sangue que medem a taxa de açúcar no organismo. Os benefícios foram maiores, no entanto, no grupo que seguia a dieta rica em fibras.

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"Há uma hipótese de que o tipo de flora intestinal que temos pode influenciar no aparecimento do diabetes", afirma João Salles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, que não participou da pesquisa. "No estudo foi feita uma modulação da flora para se ter uma maior porcentagem de bactérias que produzissem ácidos graxos de cadeia curta."

Esses ácidos graxos, de forma geral, estão ligados ao aumento da produção de proteínas, como a GLP-1, que por sua vez estimula a produção de insulina.

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Para demonstrar que os ganhos -inclusive aqueles relacionados à glicemia em jejum e ao emagrecimento- estavam associados ao aumento das bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta, os pesquisadores transplantaram os micróbios dos pacientes humanos para camundongos "germ-free" (sem germes, em tradução livre).

O transplante de fezes, como é popularmente conhecido, vem sendo associado a tratamentos de diversos problemas de saúde, como infecções persistentes pela bactéria Clostridium difficile, doença de Crohn e até mesmo obesidade.

Os efeitos positivos encontrados em humanos se repetiram nos roedores, com menores taxas de açúcar no sangue naqueles que receberam a microbiota das pessoas que seguiram a dieta rica em fibras.

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BOAS BACTÉRIAS

Por fim, os pesquisadores conseguiram também identificar 15 tipos de bactérias que foram favorecidas pela maior disponibilidade de alimento no trato gastrointestinal e que seriam importantes para um melhor controle do diabetes.

Outro bom efeito foi a diminuição de colônias de micro-organismos potencialmente prejudiciais, que agravam o quadro do diabetes.

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"Isso abre espaço para estudos futuros, não só com o transplante de flora para melhora do diabetes e da obesidade, mas também para modulação da flora com esses probióticos [as bactérias encontradas pelos pesquisadores]", diz Salles.

Além da indicação de consumo de frutas e verduras (também fontes de fibras), o estudo leva ao aconselhamento da ingestão de fibras e carboidratos como arroz e trigo, mas em suas formas integrais, segundo Márcio Mancini, chefe do grupo de obesidade e síndrome metabólica do Hospital das Clínicas (HC) da USP.

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O impacto disso, no futuro e com a realização de mais pesquisas, pode ser a indicação de novos tipos de dietas mais direcionadas às fibras --que já são consideradas importantes para pessoas com diabetes.

"Ainda não se chegou ao nível de aconselhar algum tratamento, de passar cápsulas com prebióticos [nutrientes para bactérias benéficas se multiplicarem] ou probióticos", diz Mancini.

Para André Zonetti, gastroenterologista do HC, mais do que se pensar nas bactérias que poderiam ser manipuladas, o estudo mostra a importância de uma alimentação saudável, que, a longo prazo, consegue modificar a microbiota da pessoa. "A gente é o que gente come."

Antonio Carlos do Nascimento, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, afirma que, além da questão da seleção da microbiota pelos alimentos, é importante também destacar outro papel de uma dieta rica em fibras.

Esse tipo de alimentação diminui a velocidade de absorção do intestino e, dessa forma, evita picos glicêmicos. A longo prazo, esses aumentos repentinos podem acabar debilitando a ação do pâncreas -glândula responsável pela produção de insulina.

De acordo com Nascimento, as fibras também promovem uma sensação mais duradoura de saciedade e, dessa forma, podem diminuir as chances de consumo excessivo de alimentos.

Mesmo com os efeitos benéficos apresentados no estudo, Salles, da SBD, lembra que qualquer tipo de exagero alimentar é prejudicial e pode levar à obesidade e maior risco de diabetes. Não convém exagerar no pão integral, portanto.

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