Mais lidas
Ver todos

    Geral

    Com viés pedagógico, 'Encantado' cumpre papel a que se propôs

    Escrito por FolhaPress
    Publicado em Editado em
    Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, .

    ANDREA ORMOND

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Imagine o "bullying" sofrido por uma menina que se descobre pajé, conversando com criaturas invisíveis.

    Eis a trama de "Encantados". Nos idos do século 20, na região amazônica, Zeneida (Carolina Oliveira) enfrenta o estigma de não poder assumir a origem indígena. Mesmo assim, na contramão das expectativas, prefere ser fora do padrão e sentir-se livre.

    Trajetória semelhante foi seguida pela diretora do filme, Tizuka Yamasaki. Em "Gaijin, Os Caminhos da Liberdade" (1980), Tizuka utilizou a memória afetiva -as famílias nipo-brasileiras- para tocar em um nicho diferente e pouco explorado no cinema nacional: os imigrantes japoneses nas colônias de café. Ainda hoje, é um dos pontos altos de sua obra.

    "Encantados" foi concluído em 2014 e inspirado no livro "O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó", da pajé e educadora Zeneida Lima. A voz de Zeneida aparece em alguns momentos nos lábios da protagonista -que não à toa, tem o seu mesmo nome.

    Em termos de linguagem cinematográfica, essa técnica deixa claro que o tempo todo ?Encantados? dialoga com as fábulas do livro e com a Zeneida real. Fica nítida a admiração por Zeneida Lima, conhecida pelo trabalho com crianças carentes e pelos livros sobre lendas da Ilha de Marajó.

    O termo "encantados" refere-se às criaturas invisíveis aos olhos dos outros, mas sentidas de perto pela  Zeneida personagem. Ela se apaixona por Antônio (Thiago Martins): um "caruana", uma entidade das águas doces.

    A moça enfrenta a origem social "mestiça". É filha de uma mulher que renega a avó índia. A expressão "sangue ruim", por mais que choque os ouvidos, aparece no filme. E, em termos de "empoderamento", além de toda a questão étnica, "Encantados" utiliza mulheres fortes: Zeneida e Cotinha (Dira Paes), a faz-tudo na casa.

    O filme tem, portanto, forte viés pedagógico, voltado especialmente para o público infantojuvenil. Nada que se assemelhe a "Iracema, Uma Transa Amazônica" (1974), também ambientado no Pará, em que as fronteiras entre o documental e o ficcional se diluem.

    Mas atenção: ao invés de ser um impedimento, é preciso entender as razões do cinema popular. "Encantados" não pretende ser um achado autoral, mas uma história contada com princípio, meio e fim, no esforço mediano de elementos. Nesse sentido, cumpre o papel a que se propôs.

    ENCANTADOS

    QUANDO estreia nesta quinta (8)

    ELENCO Ângelo Antônio, Laura Cardoso, Rod Carvalho

    PRODUÇÃO Brasil, 2014, 14 anos

    DIREÇÃO Tizuka Yamasaki

    AVALIAÇÃO Bom

    Gostou desta matéria? Compartilhe!
    TNTV
    TNTV

    Idoso de 105 anos se recupera da Covid-19 em Arapongas

    Deixe seu comentário sobre: "Com viés pedagógico, 'Encantado' cumpre papel a que se propôs"

    O portal TNOnline.com.br não se responsabiliza pelos comentários, opiniões, depoimentos, mensagens ou qualquer outro tipo de conteúdo. Seu comentário passará por um filtro de moderação. O portal TNOnline.com.br não se obriga a publicar caso não esteja de acordo com a política de privacidade do site. Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.