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Eleitores vão às urnas no Afeganistão sob ataques do Taleban

Da Redação ·
 Mulher afegã vota em Cabul, capital do país, neste sábado (18)
fonte: Shah Marai/18.09.2010/AFP
Mulher afegã vota em Cabul, capital do país, neste sábado (18)

O Afeganistão realiza neste sábado (18) uma das eleições mais importantes da história do país sob o temor das ameaças do grupo insurgente Taleban, que prometeu e vem promovendo uma série de atentados contra eleitores, candidatos e funcionários do governo.

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Segundo a agência de notícias EFE, ao todo 16 pessoas já morreram em atentados neste dia de eleição. O Taleban, em comunicado, informou ter atacado 150 locais de votação. Na madrugada deste sábado, um foguete atingiu o centro de comando da Otan (aliança militar ocidental) em Cabul, horas antes da abertura das urnas para as eleições parlamentares.

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Um trabalhador da Comissão Eleitoral ficou ferido na cidade de Khost (leste), por causa da explosão de uma bomba no interior de um colégio, enquanto um agente de inteligência ficou ferido na explosão similar em Cabul.

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Segundo o canal de TV Tolo, houve ataques em Kunar e Jalababad e, de acordo com diferentes fontes policiais, aconteceram lançamentos de foguetes nas cidades de Kandahar e Kunduz.

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Nesta sexta-feira (17), o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, reconheceu que há "graves preocupações em relação à segurança em várias regiões do país", depois que o Taleban sequestrou 19 pessoas ligadas às eleições, inclusive um candidato.

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Para o Afeganistão, as eleições legislativas são uma boa chance de testar a frágil estabilidade do país, antes de o governo dos Estados Unidos realizar em dezembro sua revisão da estratégia da guerra.

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Essa revisão será essencial para determinar se serão mantidos os planos do presidente dos EUA, Barack Obama, de começar a retirada do Afeganistão em julho de 2011, como prevê a estratégia atual.

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EUA querem reduzir tropas até 2012

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Atualmente, os Estados Unidos mantêm cerca de 100 mil homens no Afeganistão, e Obama espera poder retirar gradualmente parte dessas tropas ao longo da segunda metade de 2011, reduzindo o número para cerca de 50 mil em 2012, ano em que tentará a reeleição.

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Tudo isso dependerá da possibilidade de o Afeganistão demonstrar que está em condições de assumir seu próprio governo e, sobretudo, a luta contra o Taleban. De outro modo, Washington e seus aliados da Otan teriam de planejar com muito rigor uma nova estratégia, com um custo político previsível considerável, em razão da grande impopularidade da guerra tanto nos EUA como no resto dos países aliados.

Os Estados Unidos acompanharão muito de perto o desenvolvimento da votação e, sobretudo, o impacto que seus resultados podem ter na luta contra a corrupção. Esse é um dos grandes problemas do Afeganistão e, segundo analistas, representa um dos fatores que multiplicaram a popularidade do Taleban entre a população.

Para a ONU (Organização das Nações Unidas), as eleições legislativas no Afeganistão demonstrarão à população que a democracia "avança", apesar de acontecerem no "pior momento", segundo o representante especial da organização em Cabul, Steffan de Mistura. Mesmo assim, ele defende a realização da votação.

- Se as eleições não acontecessem, a Constituição seria fragilizada. Nesse caso, a mensagem enviada seria a de que a democracia não tem futuro no Afeganistão. O mero fato de organizar essas eleições já é um milagre.

No total, 10,5 milhões de afegão estão registrados para eleger, entre 2.500 candidatos, 249 deputados - 68 vagas são reservadas para as mulheres - da Assembleia Nacional. Esta é a segunda eleição legislativa no país desde a queda do Taleban, no fim de 2001.