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Cafés especiais do Norte Pioneiro paranaense são campeões no principal concurso de qualidade do Brasil

Da Redação ·
O cafeicultor Edson Messias de Carvalho, de Joaquim Távora, teve o café cereja descascado reconhecido em duas premiações.(Foto: Divulgação)
O cafeicultor Edson Messias de Carvalho, de Joaquim Távora, teve o café cereja descascado reconhecido em duas premiações.(Foto: Divulgação)

Dois produtores de cafés especiais do Norte Pioneiro do Paraná foram eleitos National Winners, ou campeões nacionais, da Cup of Excellence 2017, o principal concurso de qualidade de cafés especiais do Brasil, que teve a premiação divulgada no último dia 22 no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Campus de Venda Nova do Imigrante, Espírito Santo. Os cafés finalistas na categoria cereja descascado foram produzidos por Valdeir Luiz de Souza, de Tomazina, e Edson Messias de Carvalho, de Joaquim Távora. Ambos produtores já haviam sido premiados no 5º Concurso de Qualidades de Cafés “Sabores do Norte Pioneiro do Paraná” durante a 10ª edição da Feira Internacional de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Ficafé 2017), realizada no início de outubro. Quase 900 amostras foram inscritas na competição. Na etapa final, 29 jurados de várias partes do mundo degustaram e julgaram os melhores cafés arábica do Brasil, sendo 33 da categoria "pulped naturals" (cerejas descascados/despolpados) e 40 "naturals" (naturais, secos com casca). E os cafés especiais produzidos no Norte Pioneiro ficaram entre os melhores do Brasil, com pontuação entre 84 e 85,9 pontos. Os lotes de cafés enviados pelos produtores vão participar dos leilões internacionais organizados pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), com o apoio da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). O valor inicial do leilão será de aproximadamente R$ 1,6 mil para cada saca de 60 quilos.

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O consultor e gestor do Projeto de Cafés Especiais do Sebrae/PR, Odemir Capello, comemorou o resultado. “O projeto nasceu com esse objetivo, de colocar o Norte Pioneiro entre as principais regiões produtoras de cafés especiais do Brasil e do mundo”, afirmou. Capello lembrou que esta não é a primeira vez que produtores da região são reconhecidos na premiação internacional, o que revela resultados efetivos na produção e na qualidade de vida e renda de cafeicultores da região.

Para o cafeicultor Edson Messias de Carvalho, de Joaquim Távora, ver o café cereja descascado, produzido há apenas dois anos na propriedade de 5 hectares, entre os 33 finalistas nacionais foi emocionante. “Fiquei muito feliz, não esperava ser classificado”, contou. Segundo ele, a dedicação empreendida na produção, que conta com mão de obra familiar e tem o apoio do Programa 100% Qualidade, do Sebrae/PR, foi fundamental para o resultado positivo. Motivado com tantos reconhecimentos, o produtor adiantou que pretende continuar investindo em qualidade e participar dos concursos novamente em 2018.

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Este também é o desejo do produtor Valdeir Luiz de Souza, de Tomazina, que, assim como Carvalho, participou da competição internacional pela primeira vez. “Foi muito bom. Pretendo participar de outros concursos para mostrar que posso produzir café de qualidade. O reconhecimento nos motiva a fazer cada vez melhor”, avaliou. Souza investe no cereja descascado há dois anos e conta com o apoio da família na produção, que incrementa a renda.

O concurso Cup of Excellence é realizado desde 2000 pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e Alliance for Coffee Excellence (ACE), e é aberto a todo produtor brasileiro de café arábica. O principal objetivo é mostrar ao mercado internacional que o Brasil produz cafés especiais de altíssima qualidade, comparáveis aos melhores do mundo, e que tais cafés podem ser vendidos a preços recordes.

Um café vencedor do prêmio Cup of Excellence é o escolhido por um grupo de provadores internacionais como um dos melhores cafés do país durante aquele ano. O que torna esses cafés especiais é justamente o fato de serem muito raros. Os grãos são cuidadosamente colhidos quando perfeitamente maduros e, por isso, a bebida é muito encorpada, tem aroma agradável e doçura viva.

Cada café vencedor leva a assinatura do ambiente em que foi cultivado e do trabalho artesanal adequado para acentuar as características próprias. Após o concurso, os cafés premiados são vendidos ao importador ou torrador através de um leilão internacional pela internet. O lance mais alto compra a totalidade do lote de café que foi submetido à competição. Um café que ganha continuamente o Cup of Excellence terá seu status comparado a um bom vinho, ou seja, a um Grand Cru.