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'Criar narradores diferentes me livram de mim mesma', diz Fernanda Torres

FERNANDA MENA, ENVIADA ESPECIAL PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - A proximidade entre a literatura e o teatro, seja na influência da oralidade na linguagem escrita, seja na facilidade com que um livro pode ser traduzido para os palcos, foi um dos temas de debate

Da Redação

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Escrito por Da Redação
Publicado em 29.07.2017, 22:25:08 Editado em 29.07.2017, 22:25:08
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FERNANDA MENA, ENVIADA ESPECIAL

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PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - A proximidade entre a literatura e o teatro, seja na influência da oralidade na linguagem escrita, seja na facilidade com que um livro pode ser traduzido para os palcos, foi um dos temas de debate entre Fernanda Torres e Cristovão Tezza na Casa Folha, em conversa mediada pelo editor-executivo do jornal, Sérgio Dávila.

A atriz e escritora e o autor catarinense, que já escreveu peças, atuou e foi até iluminador de palco, trataram da influência da oralidade na linguagem escrita e da facilidade com que um livro pode ser traduzido para o teatro, caso do livro "O Filho Eterno", de Tezza.

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"Meu trabalho com [a adaptação para os palcos do livro de] 'A Casa dos Budas Ditosos' abriu a questão da escrita para mim, dessa voz interior que ela tem. A literatura é o diálogo interior que o ator tem quando está em cena", disse Torres.

Já Tezza afirmou que sua literatura tem um tanto da oralidade herdada do teatro.

Os autores falaram sobre os graus de dificuldade de produzir diferentes gêneros, como a crônica, a crítica e o romance. "Para mim, o mais difícil no exercício da crônica é ser sucinto", disse Torres.

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Tezza destacou que o texto publicado em jornal tem a presença muito marcante do leitor, enquanto o literário mantém dele uma distância grande. "O texto no jornal é publicado e, na mesma hora, tem algum leitor reclamando.

Literatura é outra viagem, e é, para mim, um texto mais difícil. Reescrevo muito meus textos."

No debate sobre a fronteira entre ficção e não ficção, Tezza avaliou que é o pressuposto de verdade que separa uma coisa de outra. "Mesmo que, na ficção, você conte algo verdadeiro, não há o pressuposto de verdade e o texto não será tomado como tal." No entanto, disse ele, "a experiência pessoal é tudo que nós temos". "Uma obra de ficção é uma hipótese de existência que o escritor apresenta ao leitor."

Fernanda Torres explicou que suas hipóteses têm girado em torno do sexo oposto, uma vez que seus personagens principais e narradores são do sexo masculino. "O fato de serem totalmente diferentes de mim me livra de mim mesma, o que é ótimo quando você é alguém conhecido."

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