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Igreja Católica encobriu padre suspeito de atentado, diz relatório

Da Redação ·
 Tracy Deans (à esquerda), que teve o tio-avô morto no atentado em Claudy, e Mark Aiken (à direita) que perdeu a irmã no mesmo, conversam com a imprensa nesta segunda-feira (24)
fonte: Peter Muhly/AFP
Tracy Deans (à esquerda), que teve o tio-avô morto no atentado em Claudy, e Mark Aiken (à direita) que perdeu a irmã no mesmo, conversam com a imprensa nesta segunda-feira (24)

Polícia, autoridades e a Igreja Católica fecharam um acordo para salvar um padre suspeito de ser o cérebro de um atentado a bomba que deixou nove mortos na Irlanda do Norte em 1972. A informação foi revelada por um relatório publicado nesta terça-feira (24).

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Quase 40 anos depois do atentado em Claudy, perto de Londonberry, um relatório assinado por um mediador da polícia da Irlanda do Norte, Al Hutchinson, revelou que o padre James Chesney era responsável pelas operações do Exército Republicano Irlandês (IRA, separatista católico) na região e o principal suspeito em vários atentados, inclusive o de Claudy.

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Três carros-bomba explodiram em julho de 1972 no povoado, matando nove pessoas, entre elas uma menina.

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O atentado ocorreu seis meses depois do massacre de Londonderry - segunda maior cidade da Irlanda do Norte -, onde paraquedistas britânicos dispararam contra um grupo de manifestantes e mataram 13.

Um policial pediu que o padre fosse preso, mas seus superiores se opuseram.

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Padre fugiu para a vizinha Irlanda

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O caso foi tratado em uma reunião realizada em dezembro de 1972 pelo secretário britânico para a Irlanda do Norte, William Whitelaw, e o responsável da Igreja Católica irlandesa, o cardeal William Conway.

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Eles concordaram então em transportar o padre para a Irlanda, fora da jurisdição britânica, o que ocorreu em 1973. O religioso morreu sete anos depois, aos 46 anos, como consequência de um câncer.

Ninguém foi preso ou acusado pelo atentado de Claudy.

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Segundo o autor do relatório, Al Hutchinson, a decisão de deixar o padre escapar "decepcionou a memória dos mortos e feridos no atentado". Hutchinson disse que houve "coluio", mas que isso não constituía um crime.

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O primaz da Irlanda, o cardeal Sean Brady, considerou, por sua vez, que o padre Chesney "tinha que ter sido detido e interrogado".

O atual secretário de Estado britânico para a Irlanda do Norte, Owen Paterson, afirmou que o governo "lamenta profundamente que o suposto envolvimento do padre Chesney nesse crime espantoso não tenha sido investigado de forma apropriada, e que tenha sido negada justiça às vítimas e suas famílias".

Vários parentes das vítimas pediram que o governo abra uma investigação sobre esses fatos.

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