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Trump tem 'DR' com emissoras de TV americanas

Da Redação ·
Presidente eleito teria usado tom crítico durante a reunião. Foto: Dovulgação
Presidente eleito teria usado tom crítico durante a reunião. Foto: Dovulgação

Donald Trump teve uma "DR" (discussão de relacionamento) com a mídia, numa reunião do presidente eleito com o alto escalão das principais redes de TV americanas, nesta segunda-feira (21), na Trump Tower.

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Os relatos de quem estava na sala variaram: para alguns, o encontro foi um "total desastre", para outros, um "progresso real".

"Trump continuava dizendo, 'estamos numa sala cheia de mentirosos, a mídia desonesta e trapaceira que entendeu tudo errado'. Ele citou nominalmente Jeff Zucker [presidente da CNN] e disse que na CNN só tinha mentiroso", disse uma fonte ao "NY Post".

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O tom crítico foi relatado por outros veículos, sempre em anonimato. A reunião era "off-the-record", jargão jornalístico para conversas que não devem ser divulgadas publicamente.

Mas Trump também pediu por uma relação mais "cordial" com a mídia, segundo o site "Politico".

Lá estavam os cabeças de grandes emissoras, como Fox News, MSNBC e CBS News. Alguns âncoras também compareceram, como Wolf Blitzer (CNN), George Stephanopoulos e Martha Raddatz (ABC News) e Gayle King (CBS).

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Uma fonte disse à revista "Variety" que o "sermão" de Trump foi visto como um "reset", um recomeço. Os executivos e jornalistas teriam ouvido como a campanha do republicano ajudou a elevar a audiência da TV.

Por meses, o bilionário acusou a mídia de ser tendenciosa e fazer o possível para derrubá-lo. Em seus comícios, não desencorajava quando o público começava o coro de "CNN sucks!" (a CNN é uma droga).

Ele também ofendeu pessoalmente jornalistas, como ao chamar o âncora Chuck Todd (MSNBC) de "sleepy eyes" (olhos sonolentos).

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Uma das rixas mais polêmicas: em 2015, afirmou que Megyn Kelly (Fox News) tinha "sangue saindo dos olhos e sei lá de onde mais", como se ela tinha lhe feito uma pergunta dura por estar menstruada -em debate com pré-candidatos republicanos, a jornalista elencara comentários misóginos que o empresário fez no passado.

No fim de outubro, Trump prometeu enfraquecer a "estrutura de poder" da mídia, citando a possível compra da Time Warner pela AT&T. "Como um exemplo da estrutura de poder que estou lutando, a AT&T está comprando a Time Warner e, dessa forma, a CNN, um negócio que não será aprovado na minha administração porque é muita concentração de poder nas mãos de poucos."

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Na reunião de segunda-feira, o presidente eleito sugeriu que a mídia estava disposta a ajudar sua rival democrata, Hillary Clinton.

"Ele se referiu a uma terrível correspondente que sediou um debate e chorou quando Hillary perdeu", disse uma fonte ao "NY Post" -Martha Raddatz, que mediou um debate em dupla com Anderson Cooper (CNN), estava na sala.

As emissoras pressionaram-o sobre como será a relação de sua Casa Branca com jornalistas.

Exemplo: em geral, presidentes e presidentes eleitos viajam com uma comitiva de repórteres, no Brasil apelidados de "carrapatos", por "grudarem" no político que seguem. Nos últimos dias, Trump dispensou essa praxe em algumas ocasiões -como ao ir a Washington sem avisar, ou sair para jantar em Nova York sem comunicar a ninguém.

Um executivo perguntou como ele definiria uma cobertura "justa", e Trump respondeu: "A verdade", segundo o site "Politico". (ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA, FOLHAPRESS) -