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Doenças ameaçam 3,5 milhões de crianças no Paquistão

Da Redação ·
 Crianças afetadas pelas enchentes no Paquistão fazem fila para distribuição de comida por ONG
fonte: A.Majeed/16.08.2010/AFP
Crianças afetadas pelas enchentes no Paquistão fazem fila para distribuição de comida por ONG

Cerca de 3,5 milhões de crianças estão expostas a um alto risco de doenças mortais em consequência das inundações no Paquistão, onde as chuvas não davam trégua nesta segunda-feira (16), agravando a já precária situação de 20 milhões de afetados.

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Maurizio Giuliano, porta-voz do Escritório de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), que citou ainda os riscos de hepatite A e E, além de febre tifoide.

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- Até 3,5 milhões de crianças estão fortemente expostas ao risco de enfermidades hídricas mortais ligadas à diarreia, como a disenteria.

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Giuliano também afirmou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) se prepara para tratar dezenas de milhares de pessoas no caso de uma epidemia de cólera. A OMS se prepara para ajudar até 140 mil pessoas no caso de cólera, mas o governo não nos informou nenhum caso confirmado.Nossa principal preocupação é a água e a saúde. Uma água limpa é essencial para evitar as enfermidades hídricas. Durante as inundações, a água foi fortemente contaminada.

A ONU anunciou no último sábado (14) a detecção de um primeiro caso de cólera em Swat (noroeste) e que ao menos 36 mil pessoas sofriam de diarreia aguda.

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Um voluntário, que pediu para não ser identificado, afirmou que vários sobreviventes das inundações morreram vítimas de cólera.

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As inundações que devastaram o Paquistão deixaram 1.600 mortos, segundo a ONU. Islamabad confirma 1.384 mortes.

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visitou o Paquistão neste domingo (15) e pediu à comunidade internacional mais rapidez no envio de ajuda aos 20 milhões de afetados.

A ONU pediu R$ 811 milhões (US$ 460 milhões) de ajuda urgente às vítimas, em particular para 6 milhões de pessoas mais vulneráveis, mas advertiu que será necessário mais dinheiro a longo prazo para reconstruir vilarejos, infraestructuras e as áreas de plantações destruídas pelas águas.

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As agências humanitárias da ONU expressaram preocupação com a lentidão da entrega da ajuda e temem uma "segunda onda de mortes provocadas por enfermidades".

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Elizabeth Byrs, funcionária do OCHA, afirmou que a imagem do país dificulta a capacidade de conseguir arrecadações.

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- A dificuldade de arrecadação de ajuda pode ser motivada por um "déficit de imagem" do Paquistão diante da opinião pública ocidental.

O governo paquistanês, quase 25% do país - que tem 800.000 quilômetros quadrados e população de 167 milhões de pessoas - foi afetado pelas inundações nas últimas três semanas.

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A catástrofe afetou primeiro o noroeste, uma região já muito abalada pela rebelião dos insurgentes talibãs e as ofensivas do exército para combatê-los. Depois, as águas inundaram as regiões mais prósperas de Punjab (centro) e de Sind (sul), cruciais para a agricultura do país.

Nesta segunda-feira, centenas de pessoas bloquearam durante mais de uma hora a principal estrada entre Punjab e Karachi, a capital econômica do país, para protestar contra a ausência de ajuda.

Em Sind, a chuva voltou a cair sobre os campos para desabrigados.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, afirmou que durante dois anos o país terá que auxiliar as vítimas.

As inundações ameaçam dois importantes sítios arqueológicos de Sind, segundo o departamento de antiguidades da província: as ruínas de Moenjodaro - cidade de 5.000 anos incluída na lista de patrimônio mundial da Unesco -, que ficam no vale do rio Indo, e as ruínas do povoado fortificado de Amri - também de 5.000 anos -, que estão ainda mais vulneráveis, já que ficam às margens do Indo.

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