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'Drogas são um sinal de que algo está mudando', afirma Irvine Welsh

Da Redação ·
"Drogas são um sinal de que algo está mudando, está em transição na sociedade", disse o escocês Irvine Welsh - Foto: Ulf Andersen/Getty Images
"Drogas são um sinal de que algo está mudando, está em transição na sociedade", disse o escocês Irvine Welsh - Foto: Ulf Andersen/Getty Images

SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL

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PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - "Drogas são um sinal de que algo está mudando, está em transição na sociedade", disse o escocês Irvine Welsh na noite desta quinta (30), na mesa de encerramento do primeiro dia da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

Para o autor do livro que inspirou o filme "Trainspotting", sobre garotos que usam drogas em Edimburgo nos anos 90, toda vez que há uma transformação política e social grande acontecendo, "é como uma epidemia, as pessoas buscam drogas porque algo mais está acontecendo. Por isso penso que ´Trainspotting´ não é necessariamente sobre drogas."

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Welsh apresentou-se na mesa "Na Pior em Edimburgo e Londres", com o norte-americano Bill Clegg. Ambos leram, no começo, trechos de seus romances mais recentes. Welsh fez uma apresentação mais performática, em pé, de seu "A Vida Sexual das Gêmeas Siamesas" (Rocco), enquanto Clegg, mais contido, leu um trecho de "Você Já Teve Uma Família?" (Companhia das Letras).

Clegg acrescentou que as drogas e o álcool são parte da sociedade mesmo para os que não são usuários nem viciados. "Recebo muitas cartas e perguntas de familiares, que buscam respostas para uma outra pessoa".

Ambos abordaram também a questão sobre escrever sobre si próprio. Clegg contou que voltou muitas vezes à pequena cidade em que nasceu, próxima a Nova York, para escrever suas memórias, e a cada vez "lembrava mais coisas, eventos, pessoas, até as fofocas".

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Já Welsh disse que nunca pensou em escrever nada mais memorialístico justamente porque sua "memória não é muito confiável. Tenho a tendência de aumentar, exagerar as coisas."

Foi por isso, afirmou, que migrou para a ficção. Sobre a forma como usa o inglês, de modo um pouco caótico e cheio de linguagem coloquial das ruas escocesas, afirmou que era por duas razões.

"Eu trabalhava como DJ, e gostava de pensar na linguagem com uma batida musical. Depois, o modo de escrever assim, meio fora das regras, era uma maneira de enfrentar a língua inglesa, que é imperialista, cheia de regras."

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Para Clegg, o lugar em que nasceu tem muita influência em sua literatura. "Eu comprei uma casa perto do lugar em que nasci, e a cada momento, cada canto dela me diz: ´Eu sou você´. É pouco estimulante pensar assim, que a sua adolescência essencialmente marca você para sempre, vai com você. Mas é assim."

Welsh concorda. "Mesmo quando estou pensando numa história que se passa em outro país, ou num conflito entre duas tribos na África, por exemplo, não deixo de ter como referência duas gangues de rua do meu bairro.