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Proibição de touradas na Catalunha é revanchismo, dizem opositores

Da Redação ·
 Foto de 4 de abril de 2010 mostra toureiro Daniel Luque em tourada de Madri
fonte: Daniel Ochoa de Olza/AP
Foto de 4 de abril de 2010 mostra toureiro Daniel Luque em tourada de Madri

Opositores reagiram nesta quarta-feira (28) à decisão do Parlamento da Catalunha de proibir as touradas na região autônoma espanhola.

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A acusação partiu dos círculos conservadores, que veem nessa decisão um reflexo revanchista após a rejeição no fim de junho, pelo Tribunal Constitucional, de parte do novo estatuto ampliado de autonomia da Catalunha.

É "uma ofensiva nacionalista, uma provocação e uma vingança", afirmou Jaime Mayor Oreja, eurodeputado do opositor Partido Popular (PP, direita) e ex-ministro do Interior.

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A proibição da Festa Nacional Espanhola "nada tem a ver com proteção do meio ambiente nem com os maus-tratos dos animais", mas busca "romper laços entre a Catalunha e o resto da Espanha", afirmou a presidente regional de Madri, Esperanza Aguirre.

Todos os deputados do partido separatista catalão ERC e 32 dos 48 representantes do partido nacionalista moderado CiU votaram a favor da proibição da tourada na Catalunha a partir de 2012.

Os defensores franceses das corridas somaram nesta quarta-feira suas vozes a essa tese. André Viard, presidente do Observatório Nacional das Culturas Taurinas, afirmou que se trata de "um problema político, não taurino". "São os partidos separatistas que votaram pela abolição."

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No entanto, este tema foi cuidadosamente evitado durante o debate no parlamento que precedeu a votação: os adversários das corridas citaram a "crueldade" e a "barbárie" do espetáculo, enquanto seus partidários pediram "liberdade" de escolha para os amantes dessa tradição "cultural".

Diversos especialistas estimaram que o voto de quarta-feira não foi nada além de uma consequência lógica do desapego progressivo do público das corridas na Catalunha, onde apenas a "Monumental" de Barcelona continua organizando festas.

Enquanto protestavam contra os "políticos" catalães, Simon Casas, o mais espanhol dos empresários taurinos franceses, reconheceu que essa proibição não é uma "grande perda" em uma região onde as touradas tradicionais praticamente desapareceram.

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As organizações de defesa dos animais expressaram sua "euforia" depois da decisão, mostrando sua esperança de um efeito de contágio no resto do país, algo considerado pouco provável por especialistas.

Vários líderes do governo socialista criticaram, por sua vez, a vontade da oposição de "politizar" essa votação e alimentar assim o conflito "identitário" entre Barcelona e Madri.

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"Creio que é uma decisão tomada pela Catalunha. Podemos concordar ou discordar, mas acredito que deveríamos deixar essa questão no âmbito de uma decisão que não tem conotações políticas, mas outro tipo de conotação. Não deveríamos politizar essa decisão", disse o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, mostrando seu desacordo com a proibição.
 

Repercussão
Simpatizantes e opositores estavam mobilizados desde terça-feira, aguardando a disputa que prometia ser acirrada.

Os admiradores das touradas defendiam uma tradição cultural enquanto que os adversários reclamavam o fim da tortura contra os animais.

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"As touradas são um espetáculo da tortura", afirmou o porta-voz do grupo verde Iniciativa Per Catalunya-Els Verds (ICV-EUIA), Francesc Pané. Para a organização AnimaNaturalis trata-se de um primeiro passo para a abolição das touradas em todo o mundo.

A atriz francesa Brigitte Bardot, famosa por sua defesa dos direitos dos animais, comemorou a decisão.

"É uma vitória da democracia sobre os lobbies taurinos. Uma vitória da dignidade sobre a crueldade. A tourada é de um sadismo incrível. Já não estamos nos jogos circenses e é necessário pôr um fim imediato a esta tortura animal", afirmou em um comunicado.

A liberdade de voto foi dada especialmente aos 37 parlamentares socialistas pelo presidente regional socialista José Montilla, já que um voto socialista contra a proibição, inicialmente, poderia sem dúvida garantir uma rejeição da ILP.

Mas os opositores à "corrida", cada vez mais numerosos na Catalunha e apoiados por poderosas organizações internacionais de defesa dos animais, relembram que esta tradição está perdendo força na região, onde apenas a Praça Monumental de Barcelona continua a organizar touradas.

A votação aconteceu num contexto complicado para o setor "taurino" na Espanha, que gera cerca de 40 mil empregos e bilhões de euros por ano, e que vem sentindo efeitos negativos desde 2009 por causa da crise econômica.

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Inúmeras regiões espanholas, inclusive Madri, anunciaram, assim que se iniciou o debate catalão, suas intenções de inscrever a tourada como "patrimônio cultural", com o objetivo de proteger a tradição. Ainda assim, os contra ganham espaço.