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Educação de Jovens e Adultos transforma a vida de paranaenses

Da Redação ·
Paraná Alfabetizado, alunos em sala de aula no SESC da rua Jose Loureiro. 31-07-13. Foto: Hedeson Alves
Paraná Alfabetizado, alunos em sala de aula no SESC da rua Jose Loureiro. 31-07-13. Foto: Hedeson Alves

O estudo é uma oportunidade para melhorar de vida e obter o crescimento pessoal e profissional. É esse o pensamento de muitos paranaenses que tiveram que parar de estudar e mais tarde viram na Educação de Jovens e Adultos (EJA) a oportunidade de retornar à sala de aula para recuperar o tempo que ficaram longe do ambiente escolar. A Secretaria de Estado da Educação possui 97 Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebjas), que atendem mais de 140 mil estudantes acima de 15 anos. Conta também com 245 escolas que ofertam a educação para jovens e adultos em diferentes regiões do Estado. “A educação na modalidade EJA representa um recomeço para esses estudantes que voltaram à sala de aula porque não tiveram acesso à escolarização ou interromperam os estudos por alguma razão”, explicou a chefe do Departamento de Educação para Jovens e Adultos da Secretaria de Estado da Educação, Márcia Dudeque. 

CRESCIMENTO PESSOAL – A rotina de estudo e trabalho é cansativa para muitos que decidem retornar às salas de aula depois de muitos anos afastados da escola. Mas o sonho de concluir os estudos serve como motivação para os estudantes. Foi o desejo de obter o crescimento pessoal e profissional que fez com que Antônio Marcos dos Santos não desistisse de concluir o ensino médio e ingressar no ensino superior. Antônio, que é natural de São Miguel dos Campos, no estado de Alagoas, mudou para o Paraná em 1995 para trabalhar e viu no Ceebja Professora Maria do Carmo Bocati, em Cambé (região Norte), a oportunidade para voltar a estudar. “Eu andava para baixo, triste, e o Ceebja foi como um gás a mais em minha vida porque me incentivou a voltar a estudar”, disse. “Acredito que o estudo transforma nossa realidade e nos torna uma pessoa melhor”, frisou. Antônio não se contentou apenas com o diploma do ensino médio e iniciou a faculdade de Letras. “O conhecimento é algo muito valioso do qual nunca podemos desistir”, lembrou Antônio. “Quero ser professor para transferir conhecimento”, disse. 

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CEBEJA em Campo Mourao. 12-03-14. Foto: Hedeson Alves

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VIDA PROFISSIONAL – Vanilde Aparecida Rodrigues Alves também viu no, retorno aos estudos, novas oportunidades de crescimento profissional. Ela conta que interrompeu a vida escolar aos 15 anos, devido à distância da fazenda onde morava da cidade mais próxima, a cerca de 22 quilômetros. “Meu pai não me deixava ir sozinha à escola porque só tinha ônibus à noite e era muito longe”, contou. Em 1996, Vanilde mudou para o município de Cambé, formou família e decidiu voltar a estudar. Foi também no Ceebja Professora Maria do Carmo Bocati que ela retomou sua caminhada para concluir o ensino fundamental e médio. “Eu queria progredir”, disse. Foi então que Vanilde, com diploma em mãos, iniciou uma nova caminhada: ingressar no ensino superior. “Foi um período muito difícil, muito corrido. Via meus filhos à noite apenas, mas eu queria crescer, tinha o objetivo de ser professora”, revelou. 

As adversidades não a impediram de concluir a faculdade de Pedagogia, a pós-graduação em Psicopedagogia, e de passar em concurso público. “Sem estudo ficamos parados no tempo. Estou muito feliz e hoje quero mais”, disse. Segundo Vanilde, a motivação para continuar enfrentando as dificuldades diárias veio do incentivo que recebeu no colégio. “O Ceebja é um lugar para pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar na infância recuperarem o tempo perdido e seguir em frente. É um lugar que significa muito para mim porque sem essa oportunidade talvez eu não teria conseguido terminar o estudos e chegar aonde cheguei”, lembrou. O Ceebja Professora Maria do Carmo Bocati atende em média 450 estudantes de 15 a 69 anos, de forma individual ou em grupos. De acordo com a diretora do colégio, Ivete Ribeiro Cerrato, o diferencial da escola é a proposta pedagógica de acolhimento aliada à qualificação dos profissionais. “Além de termos um quadro de profissionais preparados, trabalhamos para que os estudantes se sintam acolhidos e motivados a retomar e continuar os estudos”, disse. 

PARA FREQUENTAR – A Educação para Jovens e Adultos é ofertada para quem tem idade acima de 15 anos e já concluiu as séries iniciais do ensino fundamental. Ao fazer a matrícula, o aluno pode elaborar junto com a escola o calendário das disciplinas de acordo com a sua disponibilidade de horário. Com isso, o tempo de duração do curso varia de acordo com o cronograma elaborado pelo estudante. Se o aluno cursar as disciplinas durante toda a semana, ele concluirá o ensino fundamental em dois anos, já para o ensino médio o tempo é de um ano e meio. Estrangeiros que desejam concluir os estudos também podem se matricular na EJA pelo critério de idade sem a necessidade de comprovação da documentação escolar.