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Site promete mais documentos secretos sobre Afeganistão

Da Redação ·
 Página da WikiLeaks é vista através de lente de aumento nesta segunda-feira
fonte: AFP/G1.com
Página da WikiLeaks é vista através de lente de aumento nesta segunda-feira

A revelação de cerca de 91 mil documentos secretos das Forças Armadas dos EUA sobre a Guerra do Afeganistão é "só o começo", disse nesta segunda-feira (26) Julian Assange, fundador do site que revelou os papéis.
 

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O dono do WikiLeaks disse que ainda tem milhares de arquivos confidenciais para postar.
 

A Casa Branca, o Reino Unido e o Paquistão condenaram o vazamento, ocorrido no domingo. O governo do Afeganistão disse que ficou "chocado" com a revelação, mas insistiu que a maioria das informações já era conhecida.
 

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Os documentos trazem revelações sobre as vítimas civis e as supostas ligações entre os serviços secretos paquistaneses e os insurgentes.
 

Para o jornal britânico "The Guardian", um dos jornais que divulgaram os documentos, estes apresentam "um retrato devastador de uma guerra prestes a fracassar".
 

Assange justificou sua decisão de revelar os documentos afirmando que "o bom jornalismo é controverso por natureza".
 

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Os documentos remontam a 2004. Eles também foram enviados ao "New York Times", ao "Guardian" e à revista alemã "Der Spiegel".
 

Provenientes principalmente da embaixada dos Estados Unidos em Cabul, eles registram, por exemplo, uma influência crescente do Irã no Afeganistão, do apoio de Teerã aos insurgentes islamitas e de uma corrupção em grande escala que compromete a luta contra a rebelião.
 

O "New York Times" ressaltou que estes arquivos mostram "com riqueza de detalhes as razões pelas quais, depois que os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 300 milhões nesta guerra, os talibãs estão mais fortes do que em qualquer outro momento desde 2001".
 

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De acordo com o "Guardian", pelo menos 195 mortos civis estão registrados nestes arquivos, um número "provavelmente subestimado porque vários eventos controversos são omitidos nos relatórios diários das tropas no terreno".
 

A maior parte dessas mortes foi provocada por disparos de soldados em postos de controle.
 

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Mas outros casos são revelados como o de um homem surdo-mudo, morto enquanto tentava fugir em pânico, quando uma equipe da CIA chegou em sua aldeia e ordenou que parasse, sem que ele conseguisse ouvir.
 

As alegações mais sensíveis envolvem o Paquistão, aliado estratégico de Washington, acusado de autorizar membros de seus serviços de inteligência a negociar diretamente com os talibãs.
 

Segundo o "New York Times", agentes paquistaneses e talibãs reúnem-se regularmente em "sessões de estratégia secreta" com o objetivo de organizar "redes de grupos de insurgentes que enfrentam os soldados americanos no Afeganistão, e mostram até complôs visando à assassinar dirigentes afegãos".
 

Segundo um dos documentos, um antigo chefe do poderoso Inter Services Intelligence (ISI) paquistanês, Hamid Gul, teria se reunido com insurgentes em janeiro de 2009, após a morte de um chefe da rede terrorista da al-Qaeda, Zamarai, conhecido como Osama al-Kini, morto no Paquistão. Para vingá-lo, eles teriam preparado juntos um atentado que deveria ser cometido com a ajuda de um carro-bomba enviado do Paquistão ao Afeganistão.
 

Não se sabe se o atentado foi cometido. Mas, segundo o "New York Times", mesmo que tenha deixado suas funções na ISI em 1989, "o general Gul é mencionado com tanta frequência nos relatórios, que, se forem críveis, parece improvável que as autoridades atuais do Exército e do serviço de inteligência paquistanês possam ignorar pelo menos parte de suas atividades".
 

Segundo o conselheiro de Segurança Nacional do presidente americano Barack Obama, o general James Jones, a publicação desses documentos pode "colocar em perigo a vida de americanos e de nossos aliados e ameaçar a segurança nacional" dos Estados Unidos.
 

Quanto ao embaixador do Paquistão nos Estados Unidos, Husain Haqqani, ele afirmou que esse vazamento "não reflete a realidade no terreno".