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Assassinato de Jean Charles completa cinco anos

Da Redação ·
 Jean Charles de Menezes teria hoje 32 anos
fonte: Foto Divulgação/Justice4Jean
Jean Charles de Menezes teria hoje 32 anos

Cinco anos após a operação desastrada da Polícia Metropolitana de Londres que matou o eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, não há esperanças de que algum oficial envolvido na morte seja punido.

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Para o escritor Ivan Sant’anna, autor de Em Nome de Sua Majestade, da editora Objetiva, não há nenhuma possibilidade de punição agora. Isso porque as investigações e processos judiciais realizados pelas autoridades britânicas não incriminaram uma pessoa. Apontaram falhas, mas não determinaram um culpado da morte do brasileiro. Mesmo o nome dos policiais que participaram da operação nunca foram divulgados, o que configura impunidade para Sant’anna.

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- A polícia reconheceu que estava errada, mas a Justiça se negou a dar o nome dos policiais que mataram o Jean Charles e evidentemente puni-los. Então, foi uma impunidade total. Isso é normal na Inglaterra, policial nunca é punido.

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Uma revisão de processo também fica difícil, já que a família aceitou uma compensação financeira de R$ 269,1 mil (100 mil libras esterlinas) em novembro de 2009. Sant’anna disse que a identidade dos policiais deveria ter sido revelada e que o governo britânico deveria ter pedido desculpas ao Brasil.

Jean Charles morreu na manhã de 22 de julho de 2005 em Londres com sete tiros na cabeça. Ele saiu de sua casa, no sul da cidade, rumo ao noroeste, onde trabalhava.

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Cerca de duas semanas antes, em 7 de julho daquele ano, atentados terroristas contra o sistema de transporte britânico mataram 52 pessoas. O trauma das autoridades de segurança após a ação pode ter contribuído para a atitude que levou à morte do brasileiro. O terrorista que os policiais confundiram com Jean Charles era suspeito de envolvimento nos atentados.

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E foi justamente em um meio de transporte coletivo que Jean Charles foi assassinado. Ao entrar em um vagão do metrô na estação de Stockwell, ele foi abordado e recebeu os tiros, onze no total. Foram sete apenas na cabeça.

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Para Sant’anna, ainda hoje o caso tem mais repercussão no Reino Unido do que aqui.

- O caso Jean Charles causa muito mais indignação na Inglaterra do que aqui. Eu acho que aqui no Brasil as pessoas acham que casos como o do Jean Charles, no qual a polícia mata um inocente, acontecem todos os dias. Lá não, embora a polícia já tenha matado vários inocentes e eu cito no meu livro vários casos, são mais esporádicos.

O escritor ainda critica a conduta das autoridades brasileiras em relação ao caso. Ele acha que era, sim, uma questão do Ministério das Relações Exteriores ter chamado de volta seu embaixador em Londres na época. O que não aconteceu.

A Polícia Metropolitana de Londres não quis designar um representante para comentar o caso. O órgão lembrou ao R7 que o caso foi encerrado com o acordo em novembro de 2009, reafirmou a inocência de Jean Charles e lamentou a morte do brasileiro.