Conselho que reúne institutos britânicos vai investigar pesquisas
LEANDRO COLON
LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - O Conselho de Pesquisas Britânicas (BPC), que reúne os principais institutos do país, anunciou investigação independente para apurar supostos erros cometidos nas sondagens durante a campanha eleitoral.
"Os institutos subestimaram a liderança dos conservadores sobre os trabalhistas", diz trecho de nota do órgão. "Portanto, vamos investigar as causas desse viés aparente e fazer recomendações para a futura votação", ressalta.
As pesquisas apontavam uma disputa acirrada entre o Partido Conservador e o Trabalhista entre 33% e 35%, na faixa de 260 a 280 cadeiras do Parlamento para cada lado. No final, o primeiro ficou com 331 e o segundo, 232.
Segundo o BPC, a média de discrepância, somando todos os institutos, em relação aos votos dos conservadores ficou em 4,2% (no total, o partido obteve 37%).
O presidente do instituto YouGov, Peter Kellner, admitiu que houve alguma falha durante os levantamentos feitos na campanha, mas destaca acertos na Escócia, onde se confirmou o domínio do SNP (Partido Nacional Escocês), que conquistou 56 das 59 cadeiras.
Uma hipótese levantada pela revista "The Economist" para a polêmica é a histórica timidez de parte dos simpatizantes conservadores em revelar o voto aos institutos.
Seria um perfil de eleitor que não é apaixonado pelo partido, com vergonha em tocar no assunto, mas que aposta na segurança econômica do Partido Conservador no comando do Reino Unido.
"Na verdade, são pessoas que não querem admitir que são eleitores conservadores", disse o professor Sean Kippin, especialista da London School of Economics (LSE).
Cenário semelhante ocorreu em 1992, quando o conservador John Major venceu apesar da perspectiva favorável nas pesquisas para o trabalhista Neil Kinnock.
"Os órgãos de pesquisa têm medo de se desviar muito da multidão em suas descobertas. O que está claro é que, como em 1992, todos terão de fazer uma espécie de 'autópsia', tentando descobrir o que deu errado e como corrigir para a próxima vez", diz o professor da LSE.
