Conflitos deixam 38 milhões de deslocados internos pelo mundo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um relatório divulgado nesta quarta-feira (6) aponta que a situação de conflitos e de violência fez com que cerca de 38 milhões de pessoas estivessem deslocadas dentro de seus próprios países no final de 2014.
O número recorde representa um crescimento de 11 milhões de deslocamentos em relação a 2013, o que significa que a cada dia 30 mil pessoas, em média, foram forçadas a deixar suas casas em busca de segurança em outros locais em seus países.
Os números constam do relatório "Global Overview 2015: People Internally Displaced by Conflict and Violence", lançado nesta quarta-feira (6) na ONU (Organização das Nações Unidas), em Genebra, pelo Centro de Monitoramento do Deslocamento Interno (IDMC, na sigla em inglês), organização ligada ao Conselho Norueguês para Refugiados (ou NRC - Norwegian Refugee Council).
"Esses são os piores dados de deslocamento forçado em uma geração, o que assinala nosso fracasso em proteger civis inocentes" disse Jan Egeland, secretário geral do NRC. "Devemos romper com essa tendência", acrescentou.
"Diplomatas globais, resoluções da ONU, negociações de paz e acordos de cessar-fogo perderam a batalha contra a crueldade de homens armados que são guiados por interesses políticos ou religiosos em vez de imperativos humanos", disse Egeland.
Para o alto comissário assistente para Proteção da ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados), Volker Türk, o número assombroso de deslocados internos devido a conflitos e violência é o prenúncio de movimentos que estão por vir.
"Sabemos que mais e mais deslocados internos são forçados várias vezes a se mover dentro dos seus próprios países. Quanto mais longa a duração de um conflito, mais inseguros eles se sentem. E quando a desesperança se estabelece, muitos vão cruzar fronteiras e se tornar refugiados," disse Türk.
"Como vimos recentemente no Mediterrâneo, por exemplo, o desespero leva as pessoas a tentarem a sorte e arriscarem a vida em perigosas travessias de barco. A solução óbvia está em um esforço conjunto para levar paz a países arrasados pela guerra," acrescentou o funcionário do ACNUR.
O relatório do IDMC também frisa o quanto o deslocamento prolongado contribui para esse recorde global alarmante. Em 2014, havia pessoas vivendo em deslocamento interno há dez anos ou mais em cerca de 90% dos 60 países e territórios monitorados pela organização.
"Quando novas ou renovadas crises emergem em países como a Ucrânia ou o Iraque, novas ondas de deslocados internos se juntam a uma já massiva população deslocada que não encontra maneiras de sair dessa situação", disse Alfredo Zamudio, diretor do IDMC.
"38 milhões de seres humanos estão sofrendo -quase sempre em condições horrendas em que eles não têm esperança nem futuro- e se não mudamos nossa abordagem, os abalos provocados por estes conflitos vão continuar a nos assombrar por décadas," disse Egeland.
