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Ajuda humanitária é desorganizada, diz voluntário russo

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL
KATMANDU, NEPAL (FOLHAPRESS) - Maxim, 26, viajou a Katmandu sem avisar os pais. O jovem russo, que prefere não dizer o nome real, por ora esconde da família e decidiu ir ao Nepal para voluntariar-se no auxílio ao país, em crise após o terremoto que deixou mais de 5.000 mortos.
Profissional de marketing, ele estava na Índia quando ouviu as notícias do tremor de sábado (25). Dois dias depois, tomou um trem e um ônibus que, após 27 horas, lhe trouxeram até a capital.
"Pensei que poderia ser útil aqui", diz enquanto trabalha no Hospital Bir. Sua função, por ora, é transportar pacientes entre a máquina de raio-x e suas macas. "Francamente, aqui as pessoas não sabem que é perigoso mover alguém ferido, com dano nas vértebras."
Maxim, porém, não tem qualquer treinamento em pronto-socorro. Sem receber coordenação da equipe do hospital, transita por corredores ajudando como quer.
No dia em que conversa com a reportagem, é o único estrangeiro ali, mas diz que nos primeiros dias havia líderes informais entre os voluntários de fora do Nepal.
O russo conta que um de seus maiores desafios no país não foi a estrutura precária, derrubada pelo intenso terremoto -ele está em um albergue sem luz ou água.
O problema que lhe preocupa, afirma, é a organização das ações humanitárias. "Passei o primeiro dia em tentando descobrir o que fazer. Ninguém me orientava. Não há planejamento", diz.
LONA
Katmandu está repleta de organizações internacionais, que se dividem pela capital em diversas tarefas. Na quinta-feira (30), algumas delas já tinham desaparecido dali, rumo às regiões mais afetadas no interior do Nepal.
Os aviões que chegam ao país ainda estão repletos desses voluntários, que fazem parte de organizações como a Cruz Vermelha e os Médicos sem Fronteiras.
No parque Ratna, no centro de Katmandu, um grupo de militares japoneses fazia ronda à tarde. Em um campo onde acampam famílias cujas casas foram destruídas, o governo chinês distribuía tendas -com janelas, eram de um nível bastante mais alto que as improvisações de lona e pedaços de pau, ali.
O coordenador médico Javier Arcos, 36, veio da Espanha com uma equipe de oito pessoas para prestar auxílio pela organização Médicos do Mundo. Na tarde de quinta-feira, eles aguardavam instruções do governo, para saber para que distritos viajar.
"Nossa impressão foi menos grave do que em outras emergências", diz Arcos, que esteve em desastres no Haiti e nas Filipinas. "No Nepal, o desafio será o atendimento em zonas de difícil acesso."
FÉRIAS
A reportagem deparou-se, durante o dia, com equipes da Polícia do Nepal e de seu Exército inspecionando escombros. Alguns dos prédios se inclinam em direção às ruas, ameaçadores. O centro antigo, no qual já se pode transitar, tem alguns templos em ruínas.
Na zona de Pashupati, o turista japonês Hisaschi Yum, 42, fotografava um ritual fúnebre. Tímido, afogado entre a mochila e a câmera, consultava seu mapa.
Ele chegou a Katmandu na quinta-feira (30), apesar das notícias do desastre. "Não tenho medo", diz. "Além disso, como tenho emprego, é muito difícil tirar férias. Não queria cancelar minha viagem."

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