Após confronto, professores marcam reunião para definir rumo da greve

Os professores da rede estadual de ensino do Paraná, que estão em greve desde sábado (25), devem definir o rumo da paralisação em uma reunião marcada para as 9h desta quinta-feira (30). A greve foi motivada pelo projeto do governo estadual de mudar a forma de custear a ParanaPrevidência, o regime próprio da Previdência Social dos servidores do estado. Nesta quarta (29), o texto criticado pelos professores foi aprovado em segundo turno.
Como os manifestantes foram impedidos de entrar no Plenário durante a votação, houve confronto com a Polícia Militar (PM) e mais de 200 pessoas ficaram feridas. Durante a confusão, foram disparadas balas de borracha, bombas de efeito moral e spray de pimenta.
Nesta quinta, o cenário em frente à Assembleia começou totalmente diferente dos últimos três dias - quando centenas de pessoas amanheceram acampadas no local. Por volta das 6h30, não havia mais nenhum professor e os policiais que faziam a barreira humana também não estavam mais no local.
O projeto aprovado em sessão extraordinária na quarta segue agora para sanção do governador Beto Richa (PSDB). Foram 31 votos favoráveis e 20 contrários, mesmo número de votos da primeira votação. Veja abaixo o que muda com a aprovação do projeto. Esta é a segunda paralisação dos professores desde o início do ano letivo, que começou com atraso de 29 dias. Mais de 950 mil estudantes estão matriculados na rede estadual e estão sem aula desde segunda-feira (27).
ConfrontoOs professores foram impedidos de entrar na Assembleia já na segunda-feira (27), quando o projeto foi votado em primeiro turno.
Resguardada pelo mandado proibitório, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná blindou o Plenário durante o fim de semana, posicionando policiais em todo o entorno. O presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB), defendeu a proibição afirmando que o patrimônio público não poderia ser lesado. A manifestação ganhou força quando muitos ônibus com servidores do interior chegaram ao Centro Civíco de Curitiba, no começo de terça-feira (28). Com mais pessoas e ânimos aflorados com o passar do dia, o primeiro confronto surgiu, na madrugada da terça, quando dois caminhões de som do sindicato dos professores foram rebocados e retirados da frente da Assembleia.
Durante a manhã, outro confronto. Bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta e jatos de água foram usados contra os trabalhadores públicos que estavam no local. Os servidores tentavam chegar até a Assembleia para participar da sessão, mas foram barrados por um cordão policial.
O pior embate entre manifestantes e policias, no entanto, foi nesta quarta-feira. Dos cerca de 200 feridos, 63 foram encaminhados para hospitais. Os primeiros atendimentos foram realizados na sede da Prefeitura Municipal, que também fica na região do Centro Cívico. Um repórter cinematográfico da TV Bandeirantes de Curitiba, Luiz Carlos de Jesus, foi atacado por um cão pit bull da Polícia Militar, durante os protestos de quarta. Assista ao vídeo. O que muda com a aprovação do projeto da Previdência A administração estadual enfrenta problemas de caixa e a estimativa é que essas mudanças vão representar uma economia de R$ 125 milhões por mês. Com a aprovação do projeto pelos deputados, 33.556 beneficiários com 73 anos ou mais serão transferidos do Fundo Financeiro para o Previdenciário.
O Fundo Financeiro é bancado pelo governo estadual. Já o Previdenciário é composto por contribuições dos servidores estaduais. Com essa mudança da origem do custeio, a administração economizaria mensalmente os referidos R$ 125 milhões. O governo afirma que serão preservadas todas as garantias dos funcionários públicos, e que os cálculos atuais realizados pelos técnicos garantem a solvência do sistema por 29 anos. Mas os servidores alegam que a mudança comprometeria a saúde financeira da ParanaPrevidência, ou seja, faria que, com o tempo, a instituição tivesse mais a pagar do que a receber. O projeto do governo estadual prevê que o Fundo Previdenciário terá ainda o aporte de R$ 1 bilhão a partir de 2021, com o reinício de repasse ao Estado dos royalties da usina de Itaipu, que garantiria a solvência do sistema por pelo menos 29 anos. Em fevereiro, o governo estadual retirou um projeto apresentado na Assembleia e fez modificações antes de submetê-lo novamente à votação.
