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Usuários da cracolândia criticam Haddad por mudanças em programa

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GIBA BERGAMIM JR.
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dependentes químicos em tratamento que participam do programa "De Braços Abertos" hostilizaram o prefeito Fernando Haddad (PT) por causas de mudanças no programa.
Elas reclamam que terão de deixar uma pensão na região central da capital paulista para serem levados a um hotel na zona norte da cidade.
Pelo menos duas mulheres protestaram no momento em que o Haddad visitou a cracolândia na manhã desta quarta (29). Elas dizem que deixaram as drogas por causa do programa e temem voltar a usá-las caso sejam transferidas.
Janaina Cerqueira Xavier, 33, é uma delas. Ela vive na "pensão azul" junto com o marido e quatro de seus oito filhos –uma outra filha é viciada e vive nas ruas e os outros três vivem com a mãe dela.
"O projeto ajudou na moradia. Mas eles estão tirando a gente da pensão azul e estão oferecendo um quarto de hotel com banheiro na Casa Verde. Não queremos", disse.
Ela era usuária de cocaína. "Estou limpa há dois anos", disse, com uma bebê de dois meses no colo.
Severino Alves Carvalho, 58, que vive na cracolândia, diz que abandonou o projeto. "Esse problema não vai acabar", disse.
Grávida de sete meses, Cíntia Cristina de Souza, 24, também vive na pensão. "Eles nos deram oportunidade, mas agora a gente tem que mudar para hotel sem levar as nossas coisas. Estão nos ameaçando, dizendo que é ou isso ou nada", disse.
Renato Moura, 19, e Sílvia Henrique, 28, também vivem ali. "Só moro aqui e uso cocaína, mas estou limpo. "A gente quer ficar num lugar onde possa cozinhar e viver tranquilo. Não queremos sair daqui", disse.
A pensão azul foi descredenciada do programa por estar em más condições.
Um dos proprietários disse à Folha que os danos foram causados por dependentes químicos. Ele disse ter gastado cerca de R$ 70 mil em reformas.

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