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Ex-detentos da prisão de Guantánamo reivindicam ajuda financeira dos EUA

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MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Os ex-presos de Guantánamo acolhidos pelo governo do Uruguai criaram um blog em que protestam contra a falta de apoio financeiro do governo dos EUA após a sua liberação.
Eles fazem um protesto desde a noite de sexta (24) em frente à embaixada americana em Montevidéu.
No site, quatro ex-detentos (três sírios e um tunisiano) reclamam que ficaram presos durante 13 anos, sem julgamento, de maneira equivocada.
"Agora, eles [EUA] deveriam nos prover o necessário para que possamos levar uma vida normal como seres humanos. Eles não podem delegar seus erros aos outros, deveriam nos ajudar com moradia e com suporte financeiro", afirmam.
Em dezembro do ano passado, o Uruguai recebeu seis ex-detentos da prisão americana. Dois não participaram do protesto.
O governo do Uruguai apoia o pedido dos ex-detentos ao governo americano. No mês passado, o presidente Tabaré Vázquez fez declarações públicas em que afirmou que os EUA têm que se responsabilizar pela situação dos refugiados.
Nos últimos dias, porém, os ex-detentos se desentenderam com o governo do Uruguai.
Eles não aceitam assinar um convênio com validade até fevereiro do ano que vem proposto pelo governo.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores do Uruguai, o documento pede que eles se comprometam a aprender espanhol, fazer exames periódicos de saúde e a fazer cursos de capacitação para o trabalho.
Pelo blog, os ex-detentos afirmam que o convênio não prevê ajuda financeira.
"Quando nos reunimos com o ministro [de Relações Exteriores], ele nos disse que somos refugiados políticos e nos prometeu que o governo nos proveria moradia e também que cobriria as contas (água, luz, gás e internet) por três anos. A situação agora é que não temos nenhum tipo de ajuda", afirmam.
"Não queremos parecer ingratos com o povo uruguaio nem com o governo. Apreciamos muito tudo o que fizeram por nós, mas não concordamos com as condições da SEDHU [entidade de direitos humanos que cortou a ajuda financeira até que eles assinem o convênio]", afirmam.
O Ministério de Relações Exteriores do Uruguai emitiu uma nota nesta segunda (27) em que afirma que a ajuda oferecida pela entidade é financiada pelo governo e que, sem a assinatura do convênio, não poderá mantê-la.
"O documento de compromisso é uma manifestação escrita da vontade de ambas as partes de alcançar a inserção e a adaptação a nossa sociedade. Sem a assinatura do documento, que é individual e voluntária, a SEDHU não poderá continuar em seu trabalho de apoio e acompanhamento", afirmou.
A imprensa local informa que dois refugiados aceitaram firmar o convênio, entre eles o sírio Jihad Ahmad Diyab, que fez greve de fome em Guantánamo e ainda usa muletas em sua recuperação.
Ele expressou o desejo de trazer sua família para morar no país. Sua mulher está refugiada na Turquia.

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