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Autoridade da ONU vê criminalização da imigração africana na Europa

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MARINA DIAS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Convidado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um evento nesta quinta-feira (23) em São Paulo, o secretário-executivo da Comissão Econômica para África na ONU, Carlos Lopes, fez duras críticas à criminalização da imigração africana na Europa.
Lopes também defendeu o perdão das dívidas dos três países atingidos pelo ebola: Libéria, Serra Leoa e Guiné.
Durante a abertura do "Conselho África", organizado pelo Instituto Lula para melhorar as relações entre Brasil e África, Lopes afirmou que os 3 milhões de africanos que entram anualmente na Europa representam apenas 20% do fluxo imigratório do continente europeu.
Com Lula na plateia, o secretário-executivo comandou uma conferência de quase cinco horas, em um hotel na zona sul da capital paulista, para defender a tese de que as notícias sobre a África são sempre pessimistas e que a falta de informação esconde o crescimento pelo qual o continente tem passado nos últimos anos.
"Nossa situação econômica é invejável. Nos últimos 15 anos, duplicamos o PIB", disse o secretário.
Lopes pondera, porém, que são necessárias modificações estruturais na economia africana e que uma "industrialização que atenda o modelo atual" seja feita através do agronegócio e da transformação de matérias-primas.
Celso Marcondes, diretor de Instituto Lula, disse ao final do encontro que o conselho será formado por representantes de movimentos sociais, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), organizações como a Unicef e os Médicos Sem Fronteiras.
Também participarão ex-ministros do governo Lula, como Franklin Martins (Comunicação Social) e Celso Amorim (Relações Exteriores).
Em seu discurso para encerrar o evento e dar posse ao conselho, Lula reiterou que uma de suas prioridades sempre foi discutir a África e melhorar as relações do continente com o Brasil.

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