Avó de morto em chacina diz que torcida dava sentido à vida do neto
THAIS BILENKY E GABRIELY ARAUJO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Não imaginava na minha vida matarem alguém lá dentro." "Imagina o medo que ele sentiu." "Ele não era bandido." "Agora não tem jeito mais."
No início da tarde deste domingo (19), no IML (Instituto Médico Legal), amigos e familiares ainda tentavam digerir a morte de oito pessoas na sede da Pavilhão Nove, torcida do Corinthians.
Olhos vermelhos, cabeças baixas, celulares conectados a redes sociais com posts e mais posts escritos "LUTO". Muitos vestindo camisetas e bonés da Pavilhão Nove. "Mydras, volta. Por favor, não me deixa não", chorava a mulher do músico na porta do IML.
Abraços, choros e às vezes sorrisos depois de uma lembrança boa das oito vítimas mortas neste sábado.
Jonathan Rodrigues do Nascimento, 21, era "louco" pelo time, conta a sua avó, Joselita. A família até tentava convencê-lo a se envolver menos, mas percebeu que a torcida dava sentido para sua vida. Ele conheceu quase todo o Brasil ao acompanhar o Corinthians, lembra a namorada, Ana Paula dos Santos, 27.
Chorando, ela lamentava o "enterro de seu sonho". Eles iam se casar.
A mãe do Jhonatan Fernando Massa, Andrea Massa, disse que eles estavam pintando as bandeiras da torcida dentro do pavilhão. Segundo ela, as vítimas eram jovens, entre 15 e 20 anos. Foram espancados antes de levarem os tiros. "Um dos meninos não foi morto porque as balas acabaram. Os homens disseram que ele ficaria vivo para poder contar a história", afirmou.
Membros da Pavilhão 9 a interromperam pedindo para ela não dar informações. Ela despediu-se de jornalistas pedindo justiça. Jhonatan era casado e tinha uma filha de quase um ano.
