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Em meio à crise, provedor da Santa Casa de São Paulo renuncia ao cargo

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THAIS BILENKY
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O provedor da Santa Casa de São Paulo, Kalil Rocha Abdalla, renunciou ao cargo na tarde desta quinta-feira (16). Ele estava licenciado desde o fim do ano passado, devido à grave crise financeira pela qual passa o maior complexo hospitalar filantrópico da América Latina.
A licença venceria em abril. Segundo a reportagem apurou, em sua defesa, Abdalla afirmaria que foi legitimamente eleito e esperava retornar ao posto, o que não foi possível devido à resistência interna de outros membros da direção da instituição.
Na última terça-feira (14), o Ministério Público Estadual pediu a quebra de sigilo bancário, fiscal e dos cartões de crédito de 22 pessoas físicas e jurídicas da Santa Casa, inclusive de Kalilm, conforme noticiou o telejornal "SPTV", da TV Globo. O pedido foi atendido pela Justiça.
Com a renúncia, deverá ser feita nova eleição em até 60 dias para a escolha de um novo provedor. Como a situação é inédita, ainda não se sabe se a eleição será de toda a mesa diretora, ou apenas do provedor.
CRISE
Segundo uma auditoria contratada pelo governo do Estado de São Paulo no fim do ano passado, a dívida da Santa Casa de São Paulo supera os R$ 770 milhões. Só os débitos com fornecedores superam R$ 100 milhões.
Em julho de 2014, a instituição chegou a fechar o atendimento de urgência e emergência por pouco mais de um dia. À época, o hospital alegou a falta de recursos para comprar medicamentos e materiais como seringas e agulhas.
No começo do ano, o hospital anunciou que demitiria 1.100 funcionários para aliviar as contas. Dias depois, porém, a decisão foi suspensa.
A saída de Kalil era pedida pelos funcionários, que estão com os salários de novembro e o 13° atrasados. Eles chegaram a cogitar uma greve no fim de março, mas decidiram não levar a paralisação adiante para "não prejudicar o futuro da entidade nem o atendimento à população", segundo o Simesp (Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo).
Ainda assim, estabeleceram um prazo de 30 dias para avaliar a evolução da venda de um imóvel na avenida Paulista - que o hospital pôs como garantia num empréstimo com a Caixa Econômica Federal. O dinheiro seria usado para o pagamento dos vencimentos atrasados.

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