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Em conferência anual, Putin defende entrega de mísseis ao Irã

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participou nesta quinta-feira (16) de uma conferência para responder a perguntas de jornalistas e da população, um evento que ocorre anualmente e que se tornou uma tradição de sua liderança.
No evento, Putin afirmou que a sua decisão em permitir a entrega de mísseis ao Irã ocorreu após a demonstração de "flexibilidade" da república islâmica nas negociações nucleares com potências.
Além disso, disse não haver tropas russas no leste da Ucrânia e fez acusações a Kiev.
O líder russo ainda acusou o Ocidente de ser o principal responsável pela crise econômica na Rússia. Por fim, afirmou que o assassinato de um opositor em fevereiro foi "vergonhoso".
Até terça-feira (14), mais de um milhão de perguntas já haviam sido enviadas para Putin pela internet, por telefones e por mensagens de texto e de vídeo.
A conferência "Conversa com Vladimir Putin" aconteceu diante de uma audiência de cerca de 200 pessoas no auditório de uma emissora de TV. O evento, programado para durar cerca de três horas, alcançou quase quatro horas de transmissão.
Segundo o porta-voz da Presidência, Dmitry Peskov, Putin "fez silêncio por dois dias" para se preparar para o evento.
Leia abaixo os principais temas abordados por Putin.

IRÃ
Putin defendeu a sua recente decisão em permitir a entrega de um sofisticado sistema de mísseis ao Irã, que havia sido suspensa em 2010 após fortes objeções dos EUA e de Israel.
Ele afirmou que a decisão não contradiz a política internacional de sanções contra a república islâmica e que a suspensão da entrega dos mísseis havia sido uma ação voluntária.
Segundo o líder russo, a proibição de entrega de mísseis foi revogada porque o Irã "demonstrou um bom nível de flexibilidade e um desejo em alcançar um compromisso" e que o sistema S-300, defensivo, não deve representar ameaças a Israel.
A Rússia, acompanhada dos Estados Unidos e de outras potências, chegou a um acordo preliminar com o Irã no início do mês a fim de limitar o programa nuclear do país.
UCRÂNIA
Sobre o conflito no leste da Ucrânia, o líder russo voltou a negar o envio de tropas em apoio aos separatistas. "Não há tropas na Ucrânia", disse.
Além disso, Putin acusou Kiev de violar as suas obrigações no acordo de cessar-fogo ao manter o bloqueio econômico às regiões controladas pelos rebeldes. Para o presidente, isso significa isolar a população do leste em relação ao resto da Ucrânia.
Ainda assim, Putin reiterou o seu compromisso em cooperar com o presidente ucraniano para superar a crise, adicionando que os acordos de Minsk, assinados em fevereiro, são centrais para encerrar os confrontos.
ECONOMIA
A Rússia já superou o "pico" de suas dificuldades econômicas, segundo Putin. O país enfrenta a sua pior crise desde que Putin chegou ao poder, há 15 anos, por conta da queda do preço do barril de petróleo e pelas sanções impostas por países do Ocidente após a anexação da península da Crimeia, em março de 2014.
O líder russo acusou o Ocidente de ser o principal responsável pela crise, denunciando uma suposta estratégia que pretende "conter o desenvolvimento" do país. Putin disse ,ainda, que "é inútil e sem sentido tentar pressionar a Rússia usando esses meios [sanções]".
Além disso, Putin disse que os EUA "não precisam de aliados, eles precisam somente de vassalos" e que a Rússia jamais aceitaria esse papel.
Ainda assim, ele afirmou que a Rússia está pronta para normalizar as relações com o Ocidente e que não considera nenhuma nação como inimiga.
NEMTSOV
Putin disse que a morte do opositor Boris Nemtsov, assassinado próximo ao Kremlin em 27 de fevereiro, foi "trágica e vergonhosa".
Ele elogiou a atuação das autoridades russas em prender rapidamente os suspeitos pelo crime. Cinco suspeitos chechenos estão presos.
No entanto, ele afirmou ser incerto se será possível encontrar o mandante do assassinato.

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