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Invasores de prédio de Eike dizem que resistirão a reintegração de posse

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FELIPE DE OLIVEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - As cerca de cem pessoas que continuam na invasão do edifício Hilton Santos, do empresário Eike Batista, pretendem resistir à reintegração de posse que está prevista para ocorrer na manhã de terça-feira (14).
O temor dos invasores é de que haja truculência por parte dos militares do Batalhão de Choque, responsáveis pela ação. "Não temos para onde ir, querem nos tirar de um local que não está sendo usado e estava abandonado. Iremos resistir, não iremos sair. Só espero que eles pensem nas crianças que estão aqui", afirmou Carla Cristina 21, que está com seus três filhos no local.
A reportagem entrou no prédio de 24 andares que já foi sede do Clube de Regatas do Flamengo e estava arrendado a uma empresa de Eike para a construção de um hotel. Na área onde existiam os apartamentos, é possível ver um cenário de caos. Diversos buracos na parede, rachaduras, infiltrações. Em alguns locais, o teto está desabado.
Para driblar a sujeira do local, a doméstica Fernanda Calibe, 34, afirmou que teve que fazer uma faxina, tornando o local mais habitável para os filhos.
"As pessoas acham que aqui está tudo perfeito, não está. Quando chegamos, já vimos que tudo estava destruído e se deteriorando. Não queremos ficar aqui, é desumano e perigoso do jeito que o prédio está, caindo aos pedaços. Queremos apenas que nos ofereçam um lugar digno para criar meus filhos. Trabalho, mas não consigo pagar nada. O que ganho mal dá para comprar comida".
Segundo Ricardo Martins, 29, que é um dos responsáveis pelo grupo que invadiu o local, até o final desta segunda-feira (13) nenhum representante da prefeitura havia feito contato para solucionar o problema.
"Vieram alguns assistentes sociais, mas ninguém traz uma solução para resolver o problema. Eles só vêm, olham tudo e perguntam como está, mas ninguém dá uma solução. Só dizem que vão ver, que temos que preencher algumas fichas, mas ninguém resolve. Estava na invasão da Cedae, estou esperando até hoje a casa que falaram que iriam nos dar".
De acordo com a liminar que definiu pela reintegração, além da Polícia Militar e da guarda municipal, a ação também deve contar com o apoio de agentes das secretarias municipais de Direitos Humanos e Assistência Social. Médicos e ambulâncias da prefeitura também serão acionados.
Situado no número 170 da avenida Rui Barbosa, na zona sul do Rio, o prédio de 24 andares e 148 apartamentos foi inaugurado em 1954, quando o metro quadrado mais valorizado da cidade estava no bairro do Flamengo. Cada apartamento tem entre 140 e 180 metros quadrados, além de uma vista panorâmica do Aterro do Flamengo.
Na década de 50, a intenção dos dirigentes era transformar os quatro primeiros andares na sede social do clube e alugar os demais como apartamentos. No entanto, ao longo das décadas, a gestão do edifício foi sendo negligenciada e o lugar ganhou o aspecto de prédio abandonado.
Em 2011, Eike Batista arrendou o endereço, com o objetivo de transformá-lo no Hotel Parque do Flamengo, um cinco estrelas com 350 quartos. O plano da REX - empresa de Eike que atua no ramo imobiliário - era inaugurar o empreendimento antes da Copa do Mundo.
A obra, no entanto, nem chegou a começar.

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