Só pensei na minha mãe e comecei a chorar, diz menina presa em ônibus
LUIZA FRANCO
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - "Quando meu braço ficou preso, eu só pensei na minha mãe, comecei a chorar e chamar por ela. Para mim, pareceu muito tempo. Quando lembro, fico nervosa", disse Jheniffer Florencio, 6, que ficou pendurada, presa apenas pelo braço, em um ônibus do sistema BRT na noite desta quinta-feira (9).
Segundo a família, dentro do coletivo, passageiros gritaram para o motorista parar e tiveram seus pedidos ignorados. O funcionário da Viação Santa Maria, Claudio Amilton, só parou na estação seguinte, ainda de acordo com a família.
O coletivo seguia pelo chamado corredor expresso Transcarioca (que faz a conexão entre Barra da Tijuca, na zona oeste, e o aeroporto internacional do Galeão). Entre os passageiros estava Jheniffer acompanhada pela tia, Michele Florencio, 30, e a avó materna. Elas estavam a caminho do cinema.
Ao chegar na estação Maré do BRT, as três se preparavam para desembarcar quando o motorista acelerou com o ônibus e acionou o fechamento das portas. Jheniffer já estava com o corpo para fora do veículo e acabou ficando presa por um dos braços.
De acordo com o relato das parentes de Jheniffer, ao parar na estação do BRT próxima à Universidade Federal do Rio de Janeiro, o motorista abandonou o ônibus sem dar explicações. Horas depois, ele compareceu a uma delegacia para prestar depoimento sobre o caso.
A mãe de Jheniffer, Jéssica Florencio, recordou o momento em que reencontrou a filha ainda na estação do BRT: "Ela me abraçou chorando muito. Só gritava: mãe, mãe".
Segundo o Consórcio BRT, o motorista foi demitido por justa causa e sua atitude "não condiz com a postura que se espera dos profissionais que atuam no sistema".
