Investigada, nora de Bachelet diz que presidente não sabia de negócio
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A nora da presidente chilena Michelle Bachelet, Natalia Compagnon, afirmou nesta sexta-feira (10) que a governante não tinha conhecimento dos negócios de sua empresa, sob investigação judicial.
É a primeira aparição de Natalia desde que estourou o escândalo de suposto tráfico de influência envolvendo o filho da presidente e sua mulher.
A Justiça investiga se Sebastián Dávalos, filho de Bachelet, usou sua influência para facilitar um empréstimo do Banco do Chile à empresa de Natália. Com o dinheiro (cerca de R$ 30 mihões), ela comprou três terrenos e os revendeu em seguida, por um preço mais alto.
Desde que o escândalo foi revelado, a presidente Bachelet vem perdendo popularidade e, nesta semana, negou rumores sobre uma suposta renúncia do cargo.
Em entrevista ao jornal vespertino "La Segunda", Natalia pediu desculpas a Bachelet e disse que ela nunca soube de nada.
"Nunca lhe informei nada sobre meus negócios, porque os faço de maneira profissional e independente", disse Natalia.
A nora de Bachelet foi interrogada pela promotoria na última quarta (8) e saiu do edifício sob xingamentos.
Na entrevista, Natalia afirmou que não usou da influência familiar para obter o empréstimo e afirmou que o negócio respeita as leis.
"Eu nunca usei o que as pessoas chamam de tráfico de influência. O negócio é lícito, 100% dentro da lei", afirmou.
Dávalos teria participado de uma reunião, ao lado de sua mulher, com o vice-presidente do Banco do Chile dois dias antes da eleição de Bachelet, em dezembro de 2013.
O crédito foi autorizado no dia seguinte à eleição. Apesar disso, Natalia nega que o marido tenha operado em seu favor.
Segundo sua versão, a reunião foi solicitada por um sócio de sua empresa, que se chama Caval. Além disso, Dávalos só participou do compromisso porque, na última hora, o sócio não pôde comparecer.
