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Cadu é capaz de responder por seus crimes, segundo novos laudos

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CARLA GUIMARÃES
GOIÂNIA, GO (FOLHAPRESS) - Novos laudos periciais solicitados à Justiça de Goiás após a prisão de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 28, em setembro do ano passado, apontam que ele é imputável. Ou seja, Cadu, como é mais conhecido, pode responder judicialmente por quatro crimes cometidos em Goiânia.
Cadu é acusado de dois latrocínios, receptação, porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada. Os crimes foram cometidos em Goiânia em agosto de 2014, quando o agente penitenciário Marcos Vinícius Lemes D'Abadia e o estudante Matheus Pinheiro de Morais, 21, morreram em datas diferentes após serem roubados.
Assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele Raoni, Cadu foi considerado esquizofrênico e declarado inimputável pela Justiça em 2011. O crime ocorreu em março de 2010, em Osasco (SP).
Apesar de os exames atuais não terem diagnosticado a doença mental, o promotor de Justiça Fernando Braga Viggiano afirmou, em entrevista à imprensa concedida na tarde desta quinta-feira (9), que os resultados anteriores não foram contestados. "Não se mexeu em contestar ou afirmar o que se fez em São Paulo", disse.
Os laudos são resultados de dois exames: de insanidade mental, realizado por dois psiquiatras, e psicológico, por três psicólogos.
Segundo o promotor, Cadu fez um "longo relato" de sua vida para os psicólogos, no qual admitiu o uso de cocaína e álcool, mas não nos dias dos crimes, "pois teria que estar completamente são" para realizá-los.
Ainda segundo o promotor, o acusado disse que se arrepende dos crimes, mas os profissionais contestam a versão dele e dizem que Cadu apresenta "atitude muito manipuladora" e "ego exacerbado".
Viggiano disse que o resultado dos laudos corresponde à tese que o Ministério Público sempre defendeu: "Que em nenhum momento ele é o cordeirinho que se fez passar, que é quando ele é entrevistado logo após ser preso cometendo crimes muito graves". "Ele começou a ter prazer em cometer roubos e crimes contra o patrimônio."
O promotor disse que Cadu "quer crescer no mundo do crime" e não poupará esforços para tanto. "Ele já está fazendo contatos com outros presos para que, fora da cadeia, se ele fosse declarado inimputável, voltasse a ser um elo", afirmou.
A partir de agora, a defesa tem um prazo de dez dias para se manifestar. Em seguida, a juíza responsável pelo caso decidirá se vai acolher ou não a tese de imputabilidade. Caso seja acolhida, a ação penal contra Cadu volta a tramitar na Justiça goiana.
Além dos laudos, o Ministério Público anexou ao processo uma carta que Cadu teria escrito a um colega do Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde ele está preso. "Eu vou dar munição para o promotor. Que esse papo de loko (sic) é tudo 171 e que eu sou é bandido. Essa é a minha posição. Você é minha família. Batem na tecla que eu sou é loko (sic), drogado, não tô falando nada com nada. Inimputável!!!", diz o texto.
Na carta, Cadu diz ainda que o amigo precisa mantê-lo na mídia e que "nasceu para ser estrela, e não medalha".
"Essa é a comprovação que ele é uma pessoa totalmente manipuladora", disse o promotor.
Procurado pela reportagem, o advogado de Cadu, Sérgio Divino Carvalho Filho, informou que não teve acesso aos laudos e que, por isso, não iria se pronunciar.
GLAUCO
O cartunista Glauco e o filho Raoni foram assassinados em março de 2010 em Osasco, na Grande São Paulo. Depois de ser reconhecido pela mulher de Glauco, uma das testemunhas do crime, Cadu confessou os assassinatos.
A investigação da polícia apontou que ele estava em surto psicótico, que teria sido agravado pelo consumo de drogas.
O contato de Cadu com a família de Glauco ocorreu pela igreja Céu de Maria, fundada pelo cartunista e que segue rituais do Santo Daime, entre eles com o uso de chá alucinógeno.
Cadu foi declarado inimputável (não responsável pelos seus crimes) em 2011, após ser considerado esquizofrênico. A princípio, ele foi levado a um complexo médico penal no Paraná, e depois transferido a Goiânia.
Em 2013, Cadu recebeu autorização da Justiça para deixar a clínica psiquiátrica onde estava internado e retornar para a casa de seus pais.

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