Rio tem noite de atos contra violência policial em comunidades pacificadas
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Cerca de 300 pessoas realizam uma passeata na noite desta quarta-feira (8) na zona sul do Rio de Janeiro em protesto contra os recentes casos de mortes em operações policiais em favelas cariocas.
A ação, que teve início no largo do Machado, foi organizada pela internet. Durante a caminhada os manifestantes exibiram cartazes com dizeres como "fora UPP" e "os terroristas vestem fardas".
Nas proximidades do Palácio Guanabara, sede do governo estadual, policiais militares do Batalhão de Choque realizaram um bloqueio interditando a rua Pinheiro Machado, que é uma das principais da região, e impediram os manifestantes de se aproximarem do local.
Segundo Maria Carmen, 56, professora que trabalha no Complexo do Alemão, a sociedade precisa exigir uma resposta efetiva e rígida do governo após os casos como o do menino Eduardo de Jesus, 10, morto por um tiro de fuzil na porta de casa, no Alemão, na última quinta-feira (2).
"Infelizmente, existe um despreparo da polícia e uma atuação diferente em locais como as favelas. Muitas vezes atiram e depois veem em quem foi. Com isso, acontecem tragédias que destroem famílias", disse ela.
De acordo com Leandro Andrade, 32, que é petroleiro, o ato busca chamar atenção da sociedade para aos atos de violência que ocorrem em locais da periferia carioca.
"Ocorrem problemas históricos, a polícia entra nas favelas despreparada, sai tratando todos como bandidos e atirando para todos os lados. Assim acontecem casos como Amarildos, DGs e Eduardos. Queremos uma reformulação total dessa estrutura", afirmou.
Durante o protesto foi possível ver diversos manifestantes usando máscaras e camisas para esconder o rosto. Além de populares, estiveram presentes ao ato integrantes da Frente Independente Popular, do Movimento de Jovens Negros e dos partidos: PSOL, PSTU e PCR.
