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Prédio da empresa de Eike Batista é invadido por moradores de rua 

Da Redação ·
Eike Batista é alvo de mais um processo na Justiça do Rio -   (Foto: Reuters - ARQUIVO)
Eike Batista é alvo de mais um processo na Justiça do Rio - (Foto: Reuters - ARQUIVO)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Cerca de cem pessoas ocuparam na madrugada desta terça-feira (7) o edifício Hilton Santos, onde funcionava a antiga sede do Clube de Regatas do Flamengo, na zona sul do Rio. O local foi arrendado em março de 2012 pela REX, empresa imobiliária do empresário Eike Batista para a construção de um hotel de luxo, mas as obras estavam paradas e o local estava com sinais de abandono.
Os invasores fazem parte do grupo remanescente de moradores de rua que invadiram em março deste ano um terreno da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), na zona portuária da cidade. Eles alegam que, por não terem para onde ir, escolheram o edifício da avenida Rui Barbosa, Flamengo, por estar desocupado e sem utilização. 

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"A prefeitura tinha prometido que iria nos ajudar. Mas não recebemos nada. Começou a chover e a fazer frio, não tinha como ficarmos na rua. Viemos para cá porque não temos nada. Dentro do prédio tudo também está caindo aos pedaços, não há portas, as janelas estão quebradas e tudo está precário. Porém, ainda assim, é melhor do que ficar na rua", afirmou a invasora Flávia Teresa. 


Após a chegada da Polícia Militar, os ocupantes que saíam do local foram impedidos de retornar. Os PMs também passaram a impedir a entrega de água e alimentos para os invasores como estratégia para forçá-los a deixar o local. Para Carlos Domingos, 45, que foi um dos primeiros a entrar, a medida é desumana e não ajuda a solucionar o problema.

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"As pessoas têm que entender que não estamos aqui porque queremos. Temos 19 crianças, muitas de colo. Só estamos aqui porque não temos condições de ter uma casa. Só entramos para tentar dar um teto e não deixarem que eles fiquem pegando chuva e frio. Como o prédio não estava sendo usado nos entramos."
Para a vereadora Leila do Flamengo, que é uma das líderes da associação de moradores do bairro do Flamengo, o fato de o local estar desprotegido facilitou a invasão. 


"Estamos revoltados com a invasão. Um prédio tão belo que já funcionou como sede do Flamengo se deteriorou e estava desprotegido. Alguma medida tem que ser tomada, não podemos permitir que fique assim, queremos que eles tenham para onde ir, mas invadir e querer direitos é injusto", disse.
De acordo com Sérgio Bermudes, advogado do empresário Eike Batista, representantes da REX entraram em contato com a Prefeitura do Rio para pedir uma solução conjunta por entenderem que o fato é causado por um problema social. 


A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social afirmou que não foi contatada pela empresa. Já a assessoria de imprensa do prefeito Eduardo Paes afirmou que a prefeitura só poderá auxiliar no processo caso a REX entre com um pedido de reintegração de posse do terreno. A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa do Flamengo, mas não obteve retorno até as 20h de hoje. 

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Situado no número 170 da avenida Rui Barbosa, o prédio de 24 andares e 148 apartamentos foi inaugurado em 1954, quando o metro quadrado mais valorizado da cidade estava no bairro do Flamengo. Cada apartamento tem entre 140 e 180 metros quadrados, além de uma vista panorâmica do Aterro do Flamengo.
Na década de 50, a intenção dos dirigentes era transformar os quatro primeiros na sede social do clube e alugar os outros apartamentos. No entanto, ao longo das décadas, a gestão do edifício foi sendo negligenciada e o lugar, com o tempo, ganhou o aspecto de prédio abandonado. 


Em 2011, Eike Batista arrendou o endereço, com o objetivo de transformá-lo no Hotel Parque do Flamengo, um cinco estrelas com 350 quartos. O plano da REX era inaugurar antes da Copa do Mundo. A obra, no entanto, nem chegou a começar.