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Não considero que aderi ao governo, diz novo ministro da Educação

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FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Questionado sobre críticas recentes que fez ao Executivo, o novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, afirmou que não considera ter aderido ao governo da presidente Dilma Rousseff, mas "convidado (...) para desempenhar determinado papel e para contribuir [com a área]".
"Se você faz críticas e é convidado a tentar resolver problemas que criticou, que direito tem de recusar?", questionou nesta segunda-feira (6) em sua primeira coletiva de imprensa. O filósofo apontou ainda "sinal de grandeza" da presidente Dilma em ter em sua equipe alguém que apontou falhas em sua gestão.
Em entrevista à revista "Brasileiros" publicada em março, o professor da USP afirmou que o governo federal tem atualmente uma concepção de que "não precisa prestar contas à sociedade. É isso que a Dilma está mostrando. Uma concepção de governo muito inquietante, porque é, no limite, autoritária."
Ele disse que não recebeu "nenhuma orientação" do Planalto sobre sua postura a partir de agora, à frente da pasta que carrega o lema do segundo mandato da presidente Dilma, Pátria Educadora. "Evidentemente que a partir do momento que estou no governo, tenho que pautar minha ação em acordo com o governo e se tiver críticas, serão dirigidas internamente".
CORTES
Apesar de a presidente Dilma ter garantido que projetos estruturantes do MEC não serão afetados pelo ajuste fiscal, a pasta, segundo Janine, já está fazendo levantamento "do que pode ser adiado sem maiores prejuízos".
"Vamos tentar escalonar", disse o ministro, sem dar mais detalhes. Questionado sobre propostas de seu antecessor na pasta, Cid Gomes, o secretário-executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, disse que a pasta está fazendo um estudo para "verificar a disponibilidade" de um Enem digital.
Mas já descartou esse formato na edição 2015 do exame e citou como possibilidade o uso inicial desse modelo para "treineiros", que ainda estão testando conhecimentos no exame. Após o incidente que culminou na saída de Cid, decorrente de sessão conturbada na Câmara dos Deputados, Costa minimizou atritos entre o Legislativo e a pasta.
"Vamos ter debates, divergências, mas não tenho dúvida de que as pautas da educação vão avançar bem [no Congresso]", disse.

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